‘Vende o Brasil’: Caiado sobre Lula após críticas a acordo com os EUA
Ex-governador de Goiás explicou negociação de mineradora de terras raras com os norte-americanos
Kleber Pizão - 24/04/2026 21h03 | atualizado em 30/04/2026 13h37

Após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticar o acordo entre Goiás e representantes do governo dos Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras, o ex-governador do estado Ronaldo Caiado (PSD) rebateu as críticas nesta quinta-feira (23), afirmando que o petista é quem está vendendo o Brasil.
— Quem tá vendendo é ele! É ele que está entregando tudo, ele não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil e nós estamos continuando a vender pau-brasil desde a época da colônia, vendendo nióbio e terras raras pesadas — disse Caiado, em conversa com jornalistas após uma agenda em Minas Gerais.
No dia 8 de abril, em entrevista ao ICL, Lula disse que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Caiado, ambos pré-candidatos à Presidência, estão entregando o Brasil para os Estados Unidos.
— Flávio quer vender para os EUA uma coisa tão importante quanto petróleo. (…) É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União — disse o petista.
Nesta quinta (24), Caiado explicou o acordo firmado por Goiás com o governo norte-americano.
— Ao invés de exportar apenas o mineral concentrado, eu vou poder, em Goiás, desenvolver a tecnologia capaz de separar os minerais. (…) Se eu, amanhã, tiver uma tonelada de terras pesadas, o valor é mínimo. Se eu puder vender amanhã 20 gramas de térbio, ou de disprósio, eu vou enriquecer o meu estado, vou trazer tecnologias, vou aumentar renda, vou ampliar com isso — disse o ex-governador.
Goiás é o estado em que opera a Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil e que atualmente exporta toda a sua produção para a China. Em fevereiro, a empresa recebeu aporte de 565 milhões de dólares do governo americano para extração de terras raras leves e pesadas.
O acordo foi firmado no dia 18 de março deste ano. Em nota, o governo de Goiás informou que a “celebração do memorando está plenamente respaldada nas competências constitucionais do estado”.
Os elementos extraídos das terras raras são ingredientes essenciais na fabricação, por exemplo, de motores elétricos eficientes (fundamentais na fabricação de veículos elétricos), turbinas de geração de energia eólica, telas de TV, ímãs de discos rígidos de computadores e de sistemas de áudio e circuitos eletrônicos de celulares, entre outras aplicações.
*Com informações AE
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