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Veja a transcrição do diálogo entre Jair Bolsonaro e Kajuru

Presidente conversou com o senador sobre a CPI da Covid

Pleno.News - 12/04/2021 16h28 | atualizado em 12/04/2021 23h42

Presidente Jair Bolsonaro Foto: Agência Brasil/Antonio Cruz

Neste sábado (10), o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) ligou para o presidente Jair Bolsonaro e falou, entre diversos assuntos, sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Trechos da conversa foram divulgados pelo parlamentar neste domingo (11) e nesta segunda-feira (12), e viraram assunto na imprensa.

A conversa entre Bolsonaro e Kajuru ocorreu após o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o Senado instale a CPI. A medida foi alvo de críticas do presidente.

Na conversa com Kajuru, o presidente defendeu ampliar o escopo da CPI.

Leia a transcrição completa da conversa:

Bolsonaro: Então uma CPI completamente direcionada à minha pessoa.
Kajuru: Não, presidente, a gente pode convocar governadores.
Bolsonaro: Se você não mudar o objeto da CPI, você não pode convocar governadores.
Kajuru: Tá, mas eu vou mudar. Eu quero ouvir os governadores.
Bolsonaro: Se mudar [trecho inaudível], porque nós não temos nada a esconder.
Kajuru: Não, eu não abro mão de ouvir governadores em hipótese alguma.
Bolsonaro: Então, olha só…
Kajuru interrompe: Eu só não quero que o senhor me coloque no mesmo joio.
Bolsonaro: Olha só, você tem que fazer, tem que mudar o objetivo da CPI. Tem que ser ampla.
Kajuru: Ampla, claro.
Bolsonaro: CPI da Covid no Brasil. Daí você faz um excelente trabalho pelo Brasil.
Kajuru: Exato. O que eu quero fazer é isso. Eu não vou manchar meu nome de forma alguma.
Bolsonaro: Você não é o autor da CPI, então o objetivo do autor, que eu não sei quem é, como tá lá, é investigar omissões do governo federal no combate à Covid.
Kajuru: Não é meu caso.
Bolsonaro: Tudo bem.
Kajuru: Eu acabei de declarar para o Augusto Nunes, mas eu quero dizer que eu não posso ser colocado no mesmo joio, não é, presidente? Nas suas entrevistas, o senhor coloca como se todos nós fossemos iguais. Aí não é certo.
Bolsonaro: A CPI hoje é para investigar omissões do presidente Jair Bolsonaro. Ponto final.
Kajuru: O senhor pode dizer: “Não é o que pensa o senador Kajuru que quer fazer uma investigação completa”.
Bolsonaro: Kajuru, se não mudar o objetivo da CPI, ela vai só vir para cima de mim.
Kajuru: Mas não vai, presidente. Tem a opinião de outros. São 11 titulares e 8 suplentes. A opinião de um não prevalece. Vai prevalecer a quem concordar. Eu não concordo com coisa errada, presidente.
Bolsonaro: Kajuru, olha só: Tem que fazer para ter uma CPI que realmente seja útil para o Brasil. Mudar a amplitude dela. Bota governadores e prefeitos.
Kajuru: Sim, vou mudar.
Bolsonaro: Presidente da república, governadores e prefeitos.
Kajuru: Eu fui o primeiro a assinar para governadores e municípios. O senhor pode ver lá. Portanto, eu concordo com a amplitude.
Bolsonaro: Tá ok. Se mudar a amplitude, tudo bem. Mas, se não mudar, a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa para fazer um relatório “sacana”.
Kajuru: Isso ai eu não faço nunca, pela minha mãe.
Bolsonaro: Vamos lá, Kajuru, coisa importante aqui: A gente tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto, o que está aí é um limão, e tá para sair uma limonada. Acho que você já fez alguma coisa. Tem que peticionar o Supremo e colocar em pauta o impeachment também.
Kajuru: E o que eu fiz? O senhor não viu o que eu fiz não?
Bolsonaro: Parece que você fez. Fez pensando em investigar quem?
Kajuru: O Alexandre de Moraes, ué.
Bolsonaro: Tudo bem.
Kajuru: O do Alexandre de Moraes, meu, já está lá engavetado pelo Pacheco. Só falta ele liberar. Correto?
Bolsonaro: Você pressionou o Supremo, né?
Kajuru: Sim, claro. Eu entrei contra o Supremo. Entrei ontem às 17h40.
Bolsonaro: Parabéns para você.
Kajuru: Eu só queria que o senhor desse crédito a mim nesse ponto.
Bolsonaro: Kajuru, de tudo o que nós conversamos aqui, nós estamos afinados, nós dois. É CPI ampla, investigar ministros do Supremo.
Kajuru: E nunca “revanchista”.
Bolsonaro: Dez para você. Tendo a oportunidade, eu falo com as mídias e sinto que a minha conversa contigo, ampla CPI da Covid. E também o Supremo.
Kajuru: Exatamente. Se ele fez com a CPI, tem que fazer também com o ministro.
Bolsonaro: Sim.
Kajuru: Quer dizer, então é a coisa justa. O que é difícil pra mim é que eu tenho uma posição dessa, presidente, e aí todo mundo vem contra mim porque a fala do senhor generaliza todo mundo. Não é só eu não. Acho que o senhor precisa separar o joio do trigo.
Bolsonaro: Kajuru, olha, qualquer pessoa que eu conversar vou dizer o seguinte: “O Kajuru foi bem intencionado. Só que a CPI era restrita. Só que agora ele vai fazer o possível para ter uma CPI ampla. Da minha parte, não tem problema nenhum. Ele inspecionou o Supremo, que deve ser o Barroso”.
Kajuru: Deve ser não, tem que ser, por causa daquela palavra jurídica “pretento”. Então, juridicamente, ele é obrigado a opinar. Ele não pode botar na mão de outro ministro.
Bolsonaro: É “prevento”. Ele vai ter que despachar.
Kajuru: Ele não pode colocar na mão de outro. Modéstia à parte, eu acho que fui bem nessa.
Bolsonaro: Bem não, você foi dez. Acho que o que vai acontecer, eles vão ponderar tudo. Não tem CPI nem tem investigação do Supremo.
Kajuru: Ou bota tudo, ou zero a zero.
Bolsonaro: Eu sou a favor de botar tudo pra frente.
Kajuru: É, claro, “vamo pro pau”.
Bolsonaro: A questão do vírus, ninguém vai curar, não vai deixar de morrer gente infelizmente no Brasil. Um dia morre menos gente se os prefeitos todos pegassem recursos e investissem em postos de saúde, hospital.
Kajuru: Presidente, eu sou justo. Nunca pedi uma agulha para o senhor.
Bolsonaro: Estamos 100% assinados.
Kajuru: Eu só quero pedir justiça, presidente.
Bolsonaro: Se você me pedir algo, sei que vai fazer bom uso.
Kajuru: O senhor me ajudou no que foi o único presidente da república da história do Brasil que ajudou a diabetes. E isso aí é toma lá da cá?
Bolsonaro: Tem nada a ver.
Kajuru: Pelo amor de Deus, não é?
Bolsonaro: Tá certo.
Kajuru: Abraço para você. Bom final de semana e saúde.
Bolsonaro: Valeu. Até mais.

Já o segundo trecho da conversa foi divulgado por Kajuru durante uma entrevista à Rádio Bandeirantes. Leia a transcrição do segundo diálogo.

Kajuru: Eu acabei de declarar para o Augusto Nunes, na Jovem Pan agora, o senhor pode ver aí. Eu dei uma entrevista pra ele. Eu falei pra ele que, se ela [a CPI] for revanchista, eu faço questão de não participar dela.
Bolsonaro: Não, mas… Se você não participa, vem a canalhada lá do Randolfe Rodrigues, vai participar e vai começar a encher o saco. Daí vou ter que sair na porrada com um bosta desse.

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