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‘Sugestão política’: Valdemar nega interferência em emendas

Presidente nacional do PL respondeu à intimação do ministro Flávio Dino, do STF

Kleber Pizão - 20/07/2026 16h24 | atualizado em 20/07/2026 18h44

Valdemar Costa Neto Foto: Beto Barata/ PL

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, negou interferência na distribuição de emendas parlamentares. A defesa dele respondeu à intimação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a declaração recente dele chamando de “normal” o fato de intermediar a distribuição dos valores.

A defesa de Valdemar negou que ele tenha qualquer tipo de cota, reserva ou poder sobre os recursos públicos e que o que pode acontecer dentro da normalidade mencionada por ele em entrevista ao canal GloboNews é uma sugestão política e que cabe aos parlamentares decidirem sobre a gestão dos valores.

— O que pode existir é uma sugestão política formulada pelo presidente após a interlocução com diversos atores da sociedade, submetida aos filtros e decisões independentes do processo parlamentar regular. Se a sugestão for rejeitada, não há indicação. (…) Se for modificada, prevalece a decisão parlamentar. Se for acolhida, somente produz efeitos porque a liderança, a bancada e a comissão, no exercício de competências próprias, a adotaram e formalizaram — afirma o documento.

Os advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury, que assinam o texto enviado a Flávio Dino, reiteraram ainda o papel do líder partidário no processo.

— Não apresenta emenda, não pratica a indicação formal, não delibera pela bancada ou pela comissão e não ordena a execução da despesa. Pode haver, no plano estritamente político, espaço interno para que diferentes atores do partido, inclusive e sobretudo seu presidente, sejam ouvidos e apresentem sugestões. Esse espaço de interlocução não é uma cota orçamentária — reforçou.

O líder do PL é alvo de uma investigação da Polícia Federal por indicação ilegal de distribuição de verbas públicas. Por não exercer um cargo público atualmente, o ex-deputado federal não pode determinar a destinação de verbas públicas.

Flávio Dino determinou no último dia 10 de junho o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, além da suspensão de 21 emendas parlamentares suspeitas de interferência do ex-parlamentar. O valor total somado das emendas chega a R$ 120 milhões e a maioria delas já foi paga. A PF também investiga um possível esquema de desvio de dinheiro e associação criminosa.

Além de Valdemar, líderes de outros 20 partidos com representação no Congresso Nacional têm até o próximo dia 29 para darem uma explicação sobre suposta interferência na destinação das emendas. O primeiro a se manifestar foi o presidente do Partido Social Democrático (PSD). Sua defesa respondeu ao magistrado, afirmando que não houve essa possibilidade dentro da legenda.

— Em nenhum momento em todo o período de existência do PSD houve sequer menção sobre a possibilidade de exercer influência na destinação de emendas parlamentares — disse o documento enviado a Flávio Dino.

Os líderes dos seguintes partidos deverão responder ao magistrado: Avante, Cidadania, MDB, Missão, Novo, PCdoB, PDT, PL, Podemos, PP, PRD, PSB, PSD, PSDB, PSOL, PT, PV, Rede, Republicanos, Solidariedade e União Brasil.

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