SP: Museu encerra exposição após denúncia de Pavanato e Sertanejo
Promotoria da Infância e Juventude determinou providências para apurar os fatos
Ana Luiza Menezes - 03/06/2026 15h00 | atualizado em 03/06/2026 17h07

Uma exposição chamada Funk: Um grito de ousadia e liberdade, realizada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, teve seu encerramento antecipado semanas após se tornar alvo de uma denúncia protocolada pelo vereador Lucas Pavanato e pelo pré-candidato a deputado estadual Felipe Sertanejo junto ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
A representação foi apresentada após uma visita dos denunciantes ao local, motivada por relatos de pais de alunos da rede municipal de ensino. Segundo o documento, a exposição continha imagens de mulheres dançando com roupas curtas, referências à sexualidade, símbolos associados ao consumo de drogas e obras que, na avaliação dos autores, promoviam a romantização do crime organizado.
A denúncia foi baseada em um vídeo produzido por Sertanejo com o influenciador Ben Pontes durante visita à exposição. Segundo os autores, a mostra exibia imagens e vídeos de mulheres dançando com roupas curtas, cenas de bailes funk com homens portando armas e obras que, na avaliação deles, faziam referência a figuras associadas à chamada “narcocultura”.
Em despacho assinado pelo promotor Guilherme Onofri Azevedo Figueiredo, a Promotoria da Infância e Juventude determinou a adoção de providências preliminares para apurar os fatos narrados.
Ao justificar a abertura da apuração, o promotor afirmou:
– Em análise preliminar, verifica-se que os fatos narrados, em tese, podem configurar afronta às normas de proteção integral previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, notadamente no que se refere à garantia de proteção contra conteúdos inadequados à faixa etária, à preservação do desenvolvimento psíquico e moral de crianças e adolescentes, bem como ao dever de observância da classificação indicativa e de adoção de medidas eficazes para impedir o acesso indevido por público incompatível.
Na mesma manifestação, o promotor destacou ainda que a possibilidade de visitas escolares à exposição reforçava a necessidade de investigação.
– Ademais, a informação de que grupos escolares estariam sendo direcionados à referida exposição, aliada à aparente ausência de controle efetivo de acesso, reforça a necessidade de apuração acerca do cumprimento das normas legais e regulamentares aplicáveis – disse.
Diante dos elementos apresentados, o Ministério Público (MP) requisitou esclarecimentos ao Museu da Língua Portuguesa, à Secretaria Municipal de Educação e à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Entre os questionamentos encaminhados estão os critérios utilizados para a classificação indicativa da exposição, os mecanismos de controle de acesso de menores e a eventual realização de visitas escolares ao local.
A promotoria também solicitou explicações sobre a existência de conteúdos de cunho erótico, sexualização e eventual apologia a práticas ilícitas presentes na mostra.
A exposição estava prevista para permanecer em cartaz até agosto, mas teve seu encerramento antecipado pelo museu.
Para ler o ofício do promotor, clique aqui.
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