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Silas Malafaia denuncia que seu passaporte fará 1 ano apreendido

Líder religioso fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes e a uma parcela da Polícia Federal

Paulo Moura - 17/08/2026 12h22 | atualizado em 17/08/2026 12h53

Malafaia falou sobre apreensão de seu passaporte Foto: Reprodução/YouTube Silas Malafaia

O pastor Silas Malafaia voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (17), às vésperas de completar um ano da operação determinada pelo magistrado que resultou na apreensão do passaporte e de outros objetos pessoais do líder religioso, como seu caderno de pregações, no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Malafaia classificou as medidas determinadas pelo ministro como uma “perseguição política religiosa” e afirmou que não teme ser preso.

— Isso é uma vergonha, uma verdadeira perseguição política religiosa. Eu sou um líder religioso, eu sou presidente do Conselho de Pastores do Brasil, eu sou pastor de mais de 200 mil pessoas, eu não sou criminoso, eu não sou bandido, para vocês verem o nível que essa nação chegou — disse.

 

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A abordagem ocorreu em 20 de agosto de 2025, quando o pastor desembarcava de um voo procedente de Lisboa, em Portugal. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e Malafaia foi levado para prestar esclarecimentos no aeroporto. Entre os itens apreendidos estavam o passaporte, cadernos e o telefone celular do pastor.

Na gravação publicada nesta segunda, Malafaia afirmou que a apreensão do passaporte seria incompatível com a situação em que se encontrava, já que estava chegando ao Brasil, e não deixando o país.

— Todo mundo sabe que, para apreender o passaporte de alguém, tem que haver risco iminente de fuga. Eu estava chegando, não estava saindo — afirmou.

De acordo com Malafaia, a decisão de Moraes estaria relacionada a uma investigação que apura suspeitas de coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O pastor negou ter cometido qualquer crime e disse que suas manifestações públicas e conversas estão registradas.

— Tudo meu está gravado em vídeo, gente. Tudo meu está claro, meus discursos. Não tem nada escondido — declarou.

RELAÇÃO COM BOLSONARO
Malafaia também falou sobre sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com ele, houve conversas com Bolsonaro, que já não estava na chefia do Executivo, sobre a possibilidade de uma articulação envolvendo a anistia e as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, mas que não há crime na conduta.

— Eu estava comentando com ele, e comento até hoje, que era uma questão: porque não propõe, o Brasil pode propor a troca da anistia e acaba com o tarifaço. Qual é o pecado e qual é o crime de dizer isso? Nenhum crime — destacou.

As medidas impostas por Moraes em agosto de 2025 incluíram, além da apreensão do passaporte, a proibição de Malafaia deixar o país e restrições de contato com Bolsonaro e com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), conforme a decisão citada à época.

CRÍTICAS À POLÍCIA FEDERAL
Em outro trecho do vídeo, Malafaia fez críticas à condução da investigação da Polícia Federal (PF) e afirmou existir uma suposta divisão entre uma PF que considera uma “instituição de Estado” e outra que classificou como “instrumento de perseguição política”.

O pastor citou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e fez acusações contra a atuação da corporação em diferentes episódios recentes. O líder religioso mencionou, por exemplo, uma nota assinada por integrantes da PF em defesa da instituição e relacionou o episódio a uma possível tentativa de esvaziamento do papel do ministro André Mendonça, do STF, na investigação sobre as fraudes do INSS.

— Tem uma Polícia Federal política. Eu avisei na minha igreja já há três, quatro meses. Não se espantem se vir covardia contra mim nesse período eleitoral dessa polícia política que Andrei [Rodrigues] comanda. Porque eu não estou dando mole para eles. Não se espantem — disse.

“NÃO TENHO MEDO DE SER PRESO”
Ao final da gravação, Malafaia voltou a desafiar Moraes e afirmou que não se sente intimidado pelas medidas impostas contra ele.

— Eu não tenho medo de ser preso. Ministro, você não vai me intimidar. Eu sou livre aqui dentro — afirmou.

Em tom religioso, o pastor ainda declarou que, caso as medidas contra ele continuem, haverá “juízo” sobre o ministro e sua geração. Malafaia encerrou o vídeo afirmando que voltará a falar sobre o episódio na próxima quinta (20), data em que completa um ano da apreensão de seu passaporte.

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