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Saúde exige mais dados para registrar mortes por Covid-19

Anúncio foi feito pelo Governo de São Paulo

Pleno.News - 24/03/2021 16h32 | atualizado em 24/03/2021 16h41

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga Foto: Agência Brasil/Fábio Rodrigues Pozzebom

O Ministério da Saúde passou a exigir dados adicionais para o preenchimento de óbitos pelo coronavírus no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe). A informação foi anunciada na tarde desta quarta-feira (24) pelo governo de São Paulo, segundo o qual a alteração foi feita sem aviso prévio e pode causar nos próximos dias um “represamento de dados” sobre a pandemia.

De acordo com o secretário estadual de Saúde Jean Gorinchteyn, o SIVEP-Gripe passou a exigir dados como número de CPF, cartão de vacinação do SUS, declaração de estrangeiro e a confirmação ou não se o paciente já havia se imunizado contra o coronavírus.

– Burocratizar sem avisar fez com que não tivéssemos aportado por grande parte dos municípios do país o número de óbitos – afirmou.

O reflexo já pode ser sentido nos dados de São Paulo, que registrou apenas 281 óbitos nas últimas 24 horas, uma queda de 24,3% em relação ao dia anterior. Na véspera, o estado já havia batido o seu recorde com 1.021 mortes pelo coronavírus, o que representou quase um terço do total do país, que ultrapassou pela primeira vez a marca das 3 mil vidas perdidas para a doença.

– Os municípios não foram devidamente informados, não se deixou prazo para que eles possam se habilitar nessa mudança, e [os municípios] não conseguiram completar o preenchimento desses campos – alertou Gorinchteyn durante a coletiva desta terça.

– Os campos que foram inseridos retardam o aporte dessa informação e muitos deles não têm importância nesse momento. Isso passa a ter um impacto – argumentou.

O Conselho Nacional das Secretarias Municipais (Conasems) afirma que a nova forma de registrar estes óbitos já estava em discussão por causa da “necessidade de aprimoramento nas informações coletadas”, mas que houve falha na comunicação sobre a mudança. Como a medida pegou gestores de surpresa, o conselho pediu a retirada dos novos campos “por enquanto”.

“O que ocorreu foi uma falta de comunicação adequada no momento em que foi colocada a funcionalidade em produção no referido sistema, e, por este motivo, solicitamos a retirada desses campos como obrigatórios por enquanto”, afirma a nota.

Segundo o conselho de secretários, o campo do CPF já existia na plataforma utilizada pelos gestores, mas não era obrigatório.

Para Marcelo Gomes, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e coordenador da plataforma InfoGripe, a inclusão dos campos é boa, mas foi adotada em um momento errado.

– São coisas que facilitam as análises dos dados, mas nesse momento é uma mudança de roda com o carro em alta velocidade – disse ao Estadão.

– Ter CPF ou CNS facilita limpeza de duplicidades, identificação de suspeita de reinfecção e cruzamento com outros bancos de dados – afirmou Gomes.

Segundo o pesquisador, o problema é que o preenchimento destes campos exige que o paciente tenha o número do CPF em mãos.

– Caso contrário, o agente de saúde tem que pesquisar o CNS da pessoa ou fazer um novo cadastro – completou.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde ainda não informou o que motivou a mudança nos protocolos de preenchimento dos formulários para mortes pela Covid-19 nem a totalidade dos novos campos exigidos.

*Estadão

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