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Salles diz que “manipulação” gerou suspensão pelo Novo

Ministro do Meio Ambiente disse que o processo é "uma coisa inacreditável"

Henrique Gimenes - 01/11/2019 14h50

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Foto: Reprodução

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticou, nesta sexta-feira (1º), a suspensão de sua filiação ao Partido Novo. Ele disse que o fato é “uma coisa inacreditável” e que a medida é fruto de “uma manipulação”.

A suspensão foi determinada pela Comissão Nacional de Ética Partidária, conforme os artigos 19 e 72 do estatuto do Novo e irá durar até o final da análise do caso. De acordo com o partido, Salles será julgado por “risco de dano grave e difícil reparação à imagem e reputação do Novo”.

Em entrevista ao programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, o ministro explicou o processo.

– Fiz campanha pelo Novo e defendo as ideias. Pessoas preparadas. Existe um alinhamento nesse sentido. Ponto. O que aconteceu com relação à representação? Três pessoas apresentaram uma representação no Conselho de Ética dizendo que eu tinha ido para o governo Bolsonaro sem ter consultado o partido, que as minhas ideias acabavam expondo o partido… Um dos três, logo em seguida, teve que sair do partido porque foi delatado pelo [Antonio] Palocci na Lava Jato. O outro tinha sido um que acho que condecorou alguém do PSOL por questões ideológicas, e o terceiro eu não sei quem é – apontou.

Salles disse que é preciso identificar o que está acontecendo na sigla.

– Entraram com a representação. Quatro pessoas da Comissão de Ética votaram dizendo que a representação não reúne o menor requisito de admissibilidade. Votaram. Não admitiram a representação porque não tinha nada de errado para ser enquadrado na questão ética do partido. Aí vem uma quarta pessoa, se dá por impedida, e é substituída por uma outra. E essa pessoa diz achar que a reapresentação deve ser recebida… Curiosamente prevalece o voto dessa pessoa, destoante dos outros três, e ela vira o relator. E esse relator, monocraticamente, decide suspender a minha filiação. É uma coisa inacreditável. O partido que diz ter a regra de governança, ser o exemplo de postura… se deixa ter uma manipulação. E a manipulação tem uma origem óbvia. O que nós temos que identificar aí? O que está acontecendo por trás disso. Essa é a questão principal – explicou.

O ministro também fez críticas ao presidente do Novo, João Amoêdo.

– Quem não reza a cartilha do Amoêdo ele boicota (…) Você tem ali um presidente do partido que deixa a presidência para ser candidato, não se elege e depois volta para a presidência do partido novamente. Vai querer ser candidato de novo… (…) Ele não ajudou o Zema [Romeu] na eleição para governo do estado. Quando o Zema foi eleito, sequer foi lá na posse. Brigou com o Mateus Bandeira no Sul. Agora tem uma resolução nova no partido impedindo a participação das pessoas em movimentos sociais e grupos, pois foi alegado que isso fere a imagem do partido. Ou seja, a pessoa perde completamente a autonomia – destacou.

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