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Ricardo Salles anuncia boicote de sua família ao Carrefour; entenda

Deputado fez o comunicado em suas redes sociais

Marcos Melo - 22/11/2024 17h14 | atualizado em 22/11/2024 19h12

Ricardo Salles Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) usou suas redes sociais, nesta quinta-feira (21), para anunciar um boicote de sua família à rede de supermercados Carrefour.

– A partir de hoje, na minha família, não se compra mais nada no Carrefour – declarou o parlamentar em seu perfil na rede social X.

NA FRANÇA, CARREFOUR DIZ QUE NÃO COMPRARÁ MAIS CARNE DO MERCOSUL
O CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, divulgou um comunicado nas suas redes sociais, na última quarta-feira (20), no qual afirmou que a varejista se compromete a não vender carnes do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, independentemente dos “preços e quantidades de carne” que esses países possam oferecer.

Assinada por Bompard, a carta é endereçada a Arnaud Rousseau, presidente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Operadores Agrícolas (FNSEA).

O CEO afirmou que a decisão foi tomada após ouvir o “desânimo e a raiva” dos agricultores franceses, que protestam contra a proposta de acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Os atos, organizados pela FNSEA e pelos Jovens Agricultores (JA), começaram na última segunda (18), com bloqueios de rodovias e fogo em objetos.

Os grupos pedem que o presidente francês, Emmanuel Macron, anuncie que vai utilizar o veto da França se o projeto for aprovado. Na última semana, o primeiro-ministro francês, Michel Barnier, disse que o país não deve aceitar o acordo se o texto se mantiver como atualmente proposto.

No comunicado divulgado na rede X, Linkedin e Instagram, Bompard afirmou que o acordo traria o “risco de a produção de carne, que não cumpre com seus requisitos e padrões, se espalhar pelo mercado francês”.

O CEO do Carrefour também destacou que espera que a decisão influencie outras empresas do setor agroalimentar, especialmente do mercado de catering – no qual uma organização prepara os alimentos em um espaço seguro e depois leva para o local onde será servido – que, de acordo com Bompard, é responsável por mais de 30% do consumo de carne na França.

Procurado, o Grupo Carrefour Brasil afirmou que “nada muda nas operações no país”.

MINISTRO CRITICA CARREFOUR
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, endossou o posicionamento de entidades do setor produtivo e da indústria brasileira de carnes de sugerir o não fornecimento de carnes ao Carrefour também no Brasil, após a suspensão da compra de proteínas do Mercosul pelas unidades francesas do grupo.

– Me surpreende a presidência local aqui no Brasil dizendo “não, nós vamos continuar comprando, porque nós sabemos que tem boa procedência. Quem não quer comprar é a matriz lá, a França”. Ora, se não serve ao francês, não vai servir aos brasileiros. Então, que não se forneça carne nem para o mercado desta marca aqui no Brasil – disse Fávaro a jornalistas na noite desta quinta-feira (21), em evento de comemoração de dez anos da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

*Com informações AE

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