Resort ligado a irmãos de Toffoli foi adquirido por advogado da JBS
Resort Tayayá, no Paraná, já recebeu diversas visitas do ministro do STF
Paulo Moura - 15/01/2026 14h46 | atualizado em 15/01/2026 15h47

O resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, que era ligado a familiares do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a pertencer integralmente a um advogado que atua para a JBS, companhia que faz parte do conglomerado de empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A transferência do controle foi concluída em abril do ano passado.
O comando do resort passou para o advogado Paulo Humberto Barbosa, que adquiriu as cotas que pertenciam a dois irmãos e a um primo do ministro do STF. Barbosa mantém relações empresariais diretas com figuras centrais do grupo dos irmãos Batista. Ele é sócio de Renato Costa, atual presidente da Friboi; e também de Gabriel Fortes, cunhado de José Batista Júnior, o primogênito da família.
Paulo, Renato e Gabriel dividem a sociedade da Petras Negócios e Participações, companhia voltada ao aluguel de aeronaves, mas é Barbosa quem detém 50% das cotas. Além dessa empresa, o advogado possui dez negócios registrados em seu nome, com atuação em áreas que vão do comércio atacadista a investimentos financeiros e atividades agropecuárias.
Seu escritório de advocacia, por sua vez, presta serviços em processos que investigam a aquisição de empresas nos Estados Unidos pelos irmãos Batista, com recursos oriundos de financiamentos do BNDES. Procurada, a JBS afirmou, em nota, que o escritório de Barbosa atuou em ações da companhia em Goiás, mas ressaltou que nem a empresa nem seus acionistas mantêm vínculo com os demais negócios de Paulo.
De acordo com informações da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, a compra do resort foi realizada por meio de um fundo de investimento administrado pela Reag, que teve sua licitação extrajudicial decretada nesta quinta-feira (15) pelo Banco Central. A Polícia Federal (PF) investiga se fundos da gestora foram usados em fraudes junto ao Banco Master, liquidado em 18 de novembro do ano passado.
Embora Toffoli nunca tenha sido formalmente um sócio do resort, ele é conhecido por frequentar o local. No fim de 2025, repercutiu na imprensa uma visita do ministro ao Tayayá em uma aeronave que era usada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, investigado na Operação Carbono Oculto. Roberto é suspeito de ser ligado a um esquema envolvendo a facção Primeiro Comando da Capital.
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