“Rede horrorosa”: Janja defende a proibição do Discord no Brasil
Primeira-dama citou morte de adolescente de 13 anos em transmissão ao vivo
Kleber Pizão - 06/08/2026 19h58 | atualizado em 07/08/2026 11h22

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, defendeu, nesta quinta-feira (6), a suspensão imediata da plataforma Discord no Brasil. A fala ocorreu durante a sanção de uma nova lei que endurece as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes.
O pedido de bloqueio foi motivado pelo caso de uma adolescente de 13 anos. Segundo as investigações da Operação Lívia, a jovem foi induzida a transmitir o próprio suicídio ao vivo pelo aplicativo, que permite comunicação por texto, voz e vídeo.
Na última terça-feira (4), a polícia apreendeu cinco menores envolvidos no caso. Os jovens têm entre 13 e 18 anos e foram localizados em cinco estados. A ação foi coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Janja relembrou o caso no qual a adolescente se automutilou por 45 minutos até tirar a própria vida diante das câmeras, por não conseguir cumprir um desafio.
— Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Eu não consigo admitir um país desse… A gente precisa atuar junto ao Judiciário para retirar essa rede horrorosa do ar — disse.
Indignada, a primeira-dama cobrou do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, ações efetivas e mecanismos para tornar a plataforma inacessível.
— Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. A gente precisa encontrar instrumentos para isso acontecer, ministro — ressaltou.
Em resposta, o secretário nacional de Direitos Digitais (Sedigi), Victor Oliveira Fernandes, disse que as autoridades solicitaram a suspensão da plataforma após o ocorrido, mas o juiz do caso não teria acatado o pedido.
Como resposta, o advogado-geral da União, Jorge Messias, anunciou que apresentará uma ação civil pública contra a empresa. O objetivo é pedir a responsabilização imediata do aplicativo e a proibição da sua utilização pela sociedade brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou a situação. O chefe do Executivo afirmou que não se pode confundir a liberdade de expressão com o cometimento de crimes.
— Não vamos permitir que se confunda a liberdade de expressão, que todos nós defendemos, com genocídio, com assassinato e violência. É preciso ficar claro: [liberdade de expressão] tem limite — declarou.
PEÇA AJUDA
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida é uma das instituições que dão apoio emocional e trabalham para prevenir o suicídio. Para pedir ajuda ligue para o número 188 ou acesse o site do CVV.
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