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PT quer investigar Bolsonaro por “propaganda antecipada”

Partido apresentou representação ao Ministério Público Eleitoral contra o presidente

Pleno.News - 06/01/2022 21h02 | atualizado em 07/01/2022 10h47

Presidente Jair Bolsonaro Foto: Alan Santos/PR

O PT apresentou, nesta quinta-feira (6), representação ao Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por campanha eleitoral antecipada e abuso de poder econômico. O partido pede a instauração de investigação para averiguar se ruralistas dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estão envolvidos no aluguel de outdoors para promover a candidatura de Bolsonaro à reeleição.

A representação do PT foi baseada em reportagem do jornalista Rubens Valente publicada no UOL, na qual são apresentados diversos registros de outdoors espalhados em propriedades rurais da região Centro-Oeste do país.

As peças de publicidade apresentam fotos de Bolsonaro, apoio declarado à sua candidatura neste ano e mensagens que exaltam as bandeiras do seu governo.

O partido também cita uma manifestação promovida pelo Sindicato Rural de Cuiabá contra a campanha “segunda sem carne”, promovida pelo banco Bradesco. Segundo o PT, o protesto teria sido utilizado para fazer campanha a favor da candidatura de Bolsonaro, como indicam vídeos que circulam na internet.

Em um dos registros apresentados pela sigla ao MPE, um manifestante afirma que “para reeleger o presidente do Brasil, cada fazendeiro vai doar um boi”, e, em caso de derrota, os brasileiros vão ficar “igual lá, na Venezuela” – em alusão ao cenário de crise econômica e humanitária do país vizinho.

Na representação, o PT afirma que os outdoors e o evento a favor da candidatura de Bolsonaro conflitam com a liberdade de expressão, pois “desequilibram a disputa eleitoral ao colocar em destaque um dos mais notórios pré-candidatos à disputa da Presidência da República em evidência, sem haver a mesma oportunidade aos outros candidatos”.

– A responsabilidade de Jair Bolsonaro, desta maneira, advém do fato de que candidato a cargos políticos não pode abusar dos poderes econômicos e/ou políticos que detenha, nem mesmo permitir que terceiros o façam em seu nome – diz o PT.

– Não há dúvidas a respeito do benefício auferido pelo Sr. Jair Bolsonaro pela propaganda eleitoral promovida por pessoas físicas e jurídicas – continuou a sigla.

O partido prossegue com a acusação de que não somente teria ocorrido propaganda eleitoral antecipada a favor do atual presidente, como teria sido financiada pelo setor privado, o que é proibido pela Justiça Eleitoral, inclusive durante o período regular de campanha.

– Há evidente movimento de campanha eleitoral antecipada, promovida pelo setor rural dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, que deve ser investigada e condenada pela Justiça Eleitoral brasileira, a fim de proteger e garantir a justa e democrática corrida eleitoral que se aproxima – destaca o PT em outro trecho.

Renato Ribeiro, doutor em Direito do Estado, pela Universidade de São Paulo, e membro da comissão de Direito Eleitoral, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), afirmou que as denúncias de abuso de poder econômico apresentadas pelo PT, caso sejam reconhecidas pelo MPE e julgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podem ter como efeito a cassação do mandato de Bolsonaro e sua inelegibilidade por 8 anos.

A eventual condenação pode destituí-lo do cargo tanto no atual mandato como em caso de reeleição.

COM A PALAVRA, O PALÁCIO DO PLANALTO
Procurado pela reportagem, o Palácio do Planalto não comentou as acusações do PT até o momento da publicação desta matéria.

*AE

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