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Produtora diz que filme Dark Horse já custou R$ 65,7 milhões

Parte do investimento foi feito por Daniel Vorcaro

Pleno.News - 19/05/2026 21h21 | atualizado em 20/05/2026 12h30

Cenas do filme Dark Horse Fotos: Reprodução/Prints de vídeo

O filme Dark Horse, produzido por membros do Partido Liberal (PL) para contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve mais de 90% do seu orçamento bancado com dinheiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master, preso e investigado por fraudes bilionárias na instituição.

Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, responsável pelo longa-metragem, diz que o orçamento já realizado do filme está em cerca de 13 milhões de dólares (o equivalente a R$ 65,7 milhões). A informação foi dada em entrevista à Globonews nesta terça-feira (19).

O próprio senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já admitiu que recebeu de Daniel Vorcaro mais de 12 milhões de dólares (cerca de R$ 60,6 milhões) para “patrocinar” o filme, o que corresponde a aproximadamente 92% do orçamento atual da produção.

Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou mensagens por escrito e áudio entre Flávio e o dono do Banco Master. Nos diálogos, o senador cobra dinheiro de Vorcaro para bancar a produção do filme sobre a vida do pai.

Na entrevista, Karina afirmou que, após a prisão de Vorcaro, todos que estavam à frente do filme tiveram que buscar novos investidores para viabilizar o projeto. Segundo a dona da produtora, Vorcaro atuou como um intermediador de verba para o longa, não como investidor.

Já Flávio Bolsonaro, em entrevistas, cita Vorcaro como investidor e patrocinador do Dark Horse, não como intermediador.

Karina afirmou que a GoUp não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas ao banqueiro, mas do fundo Heavengate. O fundo fica sediado no Texas, nos Estados Unidos e é administrado por aliados do irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para custear Eduardo, que vive nos Estados Unidos em exílio autoimposto desde o início de 2025 e teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevistas, Flávio nega que a verba de Daniel Vorcaro esteja sendo usada para outros fins além da produção do filme. A PF deve investigar o caminho do dinheiro para verificar se os recursos foram usados, de fato, para custear o longa-metragem.

Antes da divulgação dos áudios, Flávio disse ser “mentira” que o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento de Daniel Vorcaro. Após a publicação da reportagem pelo Intercept Brasil, o senador mudou a versão e admitiu que recebeu pagamentos do banqueiro. No entanto, ele nega que tenha cometido qualquer irregularidade, e que se tratava apenas de um “patrocínio” ou um “investimento”.

Segundo as informações publicadas pelo site e confirmadas pelo Estadão, teria havido uma negociação para que Vorcaro desse uma contribuição equivalente a 24 milhões de dólares (R$ 121,2 milhões). Esses valores estão referidos nos documentos contidos na investigação da PF sobre o caso Master.

Os valores repassados por Vorcaro a Flávio Bolsonaro para a produção do filme Dark Horse superam o orçamento total de Ainda Estou Aqui (R$ 45 milhões) e O Agente Secreto (R$ 28 milhões), dois sucessos brasileiros que chegaram inclusive ao Oscar, maior premiação do cinema mundial.

*AE

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