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Primo indagou Vorcaro sobre repasse de R$ 500 mil a Nogueira

Defesa do senador disse repudiar "qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas"

Pleno.News - 07/05/2026 12h02 | atualizado em 07/05/2026 12h42

Ciro Nogueira Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro, revela, segundo a Polícia Federal (PF), como eram tratados os repasses feitos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) em troca de suposto favorecimento aos interesses do banqueiro no Congresso Nacional.

O senador foi alvo de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (7) na nova fase da Operação Compliance Zero. Já Felipe Vorcaro teve a prisão temporária decretada. A defesa de Ciro Nogueira afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Segundo a investigação, Felipe questionou Daniel sobre a manutenção dos pagamentos mensais ao “pessoal que investiu” na BRGD S.A, empresa sediada em Nova Lima (MG) e dirigida formalmente por Oscar Vorcaro, pai de Felipe. A PF aponta a companhia como uma das principais fontes dos recursos movimentados no esquema que pagava mesada de até R$ 500 mil ao senador.

Para os investigadores, a BRGD era usada para viabilizar repasses mensais ao parlamentar por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”. A CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., segundo a investigação, era administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que também foi alvo de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.

– Pessoal me passou aqui sobre o aumento dos pagamentos parceiro BRGD, mas fluxo está indo praticamente todo para o btg e ainda estou precisando aportar valores altos todo mês – escreveu Felipe Vorcaro a Daniel em 28 de janeiro de 2025, segundo as mensagens obtidas pela PF.

– Resolve isso pra mim. Eu ponho dinheiro depois para repor – respondeu Vorcaro no mesmo dia.

Meses depois, em 30 de junho de 2025, Daniel voltou a cobrar o operador financeiro sobre os pagamentos ao senador.

– Cara, eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro? – escreveu o banqueiro.

– Vou ver se dou um jeito aqui. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k? – respondeu Felipe Vorcaro, em referência, segundo a investigação, ao valor da mesada destinada ao senador Ciro Nogueira.

Anteriormente, a PF tinha encontrado no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento do banqueiro para uma pessoa de nome Ciro, citado sem sobrenome. Na época, o senador disse conhecer Vorcaro, mas afirmou não ter proximidade e negou ter recebido pagamentos. A representação da PF descreve Felipe como integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa.

A investigação também aponta que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador um imóvel de alto padrão por tempo indeterminado, além de custear hospedagens, deslocamentos e viagens internacionais de luxo.

Entre os gastos listados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A PF cita ainda a disponibilização de um cartão voltado ao pagamento de despesas pessoais.

A operação desta quinta foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que também ordenou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens. No total, a PF cumpre dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nos estados de Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.

Em nota sobre a operação, a defesa de Ciro Nogueira disse repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar” e ressaltou que “reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.

– Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas – completa a nota.

*AE

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