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Possível substituto de Covas na prefeitura é evangélico

Eduardo Tuma é defensor das igrejas na Câmara Municipal

Rafael Ramos - 28/10/2019 15h43 | atualizado em 28/10/2019 16h06

Eduardo Tuma é líder da bancada evangélica na Câmara municipal Foto: Reprodução

Diagnosticado com câncer no trato digestivo, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, afirmou que não deve se afastar do comando da cidade por enquanto. Caso ele precise pedir licença para o tratamento, porém, quem assume o comando da cidade é o presidente da Câmara Municipal, uma vez que não há vice-prefeito – Covas foi eleito vice e assumiu com a renúncia de João Doria.

Eduardo Tuma (PSDB-SP), o presidente do legislativo municipal, tem 38 anos, é advogado, doutor em Filosofia do Direito e professor universitário. É um dos membros mais jovens de tradicional linhagem política paulista, da qual despontam o ex-senador Romeu Tuma, seu tio; o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior, seu primo; e Renato Tuma, seu pai, que foi secretário de Administração da gestão Celso Pitta. O vereador é presidente da Câmara Municipal desde janeiro deste ano.

Evangélico, é frequentador da igreja Bola de Neve. Seu site oficial o define como alguém que “na Câmara é um defensor da Igreja de Jesus Cristo”. A página também diz que ele é líder da bancada evangélica e criou a Frente Parlamentar Cristã. Na Câmara, o presidente costuma declaradamente assumir a posição de defensor das igrejas, incluindo quando isso afeta os cofres municipais. Muitas vezes, para aprovação de projetos importantes, o Executivo acaba se vendo obrigado a incluir medidas que beneficiem as igrejas.

– Se houver oportunidade de prever algum tipo de isenção de alguma taxa que a gente entenda ser abusiva relacionada as igrejas eu vou propor, sim – disse à Folha, logo depois de ter sido eleito presidente da Câmara, no ano passado.

Bruno Covas, prefeito de SP, foi diagnosticado com tumor no trato digestivo Foto: Victor Almeida

Em abril, ele articulou a aprovação de lei que amplia a isenção de IPTU para imóveis ligados a igrejas. Entre outros projetos, o vereador também está por trás da regra imposta na privatização do Anhembi, que estabeleceu que, além do Carnaval, o local também deveria garantir a realização de eventos religiosos. Em agosto, Tuma transformou uma sala usada para reuniões de comissões como a de Educação e de conselhos participativos em um espaço para cultos religiosos. A mesa em formato de U, com microfones, foi trocada por várias cadeiras, flores e um púlpito.

Antes da Câmara, foi secretário da Casa Civil de Covas durante sete meses, deixando o cargo para concorrer à presidência do legislativo municipal. Em agosto do ano passado, Tuma teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado a pedido do Ministério Público Estadual, que o investiga por suposto enriquecimento ilícito. Segundo a Promotoria, o patrimônio de Tuma teria saltado de R$ 89 mil para R$ 2 milhões entre 2012 e 2016.

O vereador nega a acusação, diz que não houve tal variação patrimonial e que entregou todos os seus dados fiscais voluntariamente. Ele também afirma que a representação que foi feita contra ele está relacionado à CPI dos Grandes Devedores da qual ele foi um dos representantes.

De acordo com a Lei Orgânica do Município de São Paulo, em caso de impedimento ou vacância dos cargos de prefeito e vice-prefeito, e tendo já decorrido dois anos de mandato, o presidente da Câmara assume por 30 dias. Após esse período, uma eleição indireta deve ser realizada pela Câmara para os dois cargos, com a indicação de apenas uma chapa por partido. Cabe à Mesa Diretora editar as regras que regulamentarão esse processo eleitoral. E os eleitos, para prefeito e vice, devem cumprir apenas o período restante do mandato.

* Folhapress

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