Polícia Federal faz operação na casa do advogado Nelson Willians
Advogado já havia sido alvo de investigação sobre suposta fraude em créditos de ICMS
Paulo Moura - 13/08/2026 09h09 | atualizado em 13/08/2026 13h52

A casa do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, foi alvo de uma operação policial nesta quinta-feira (13). Agentes da Polícia Federal (PF) cumpriram um mandado de busca e apreensão na mansão de Wilians por determinação da Justiça da Paraíba, durante a Operação Arena.
A investigação apura a atuação de um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos provenientes de jogos de azar e apostas esportivas.
Ao todo, a PF cumpre 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A operação também inclui medidas de quebra de sigilos e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores. Segundo a corporação, os investigados podem responder por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.
A ação ocorre menos de um mês depois de o escritório de Nelson Wilians ter sido alvo de outra operação, desta vez em São Paulo, relacionada a um esquema suspeito de comercialização de créditos falsos de ICMS. Em 15 de julho, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP) realizou a Operação Distrato, que investigou uma suposta fraude de R$ 3,8 bilhões envolvendo créditos tributários.
Segundo a apuração do Fisco paulista, o esquema utilizava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional para emitir documentos fiscais e criar uma circulação artificial de créditos de ICMS. Esses créditos seriam posteriormente lançados na escrituração fiscal de empresas, principalmente de pequeno e médio porte, que acreditavam estar adquirindo créditos tributários legítimos.
A investigação apontou ainda que documentos e telas falsas teriam sido produzidos para simular a existência dos créditos e demonstrar, indevidamente, que eventuais multas fiscais haviam sido quitadas.
Escritórios de advocacia, consultorias e empresas intermediadoras também aparecem na apuração. Segundo os investigadores, essas estruturas teriam sido usadas para prospectar clientes, elaborar contratos e produzir pareceres jurídicos destinados a dar aparência de legalidade às operações.
Após a operação de julho, o escritório Nelson Wilians Advogados afirmou que a gestão das operações investigadas era responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem vínculo societário ou de controle com a banca. Segundo o escritório, ao identificar inconsistências, a parceria foi encerrada e os clientes foram comunicados.
A banca também afirmou ter recebido as autoridades e prestado “integral colaboração” durante a operação. Em nota, reiterou seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e o devido processo legal.
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