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PF cumpre mandados de busca e apreensão contra ex-assessor STJ

Márcio José Toledo Pinto é suspeito de vender decisões

Kleber Pizão - 31/03/2026 15h28 | atualizado em 31/03/2026 17h42

Polícia Federal em operação Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (31), uma nova fase da investigação que apura a venda de decisões por assessores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foi cumprido um mandado de busca e apreensão na casa de ao menos um deles, Márcio José Toledo Pinto, que já chegou a ser demitido pelo próprio tribunal. A defesa dele ainda não se manifestou.

A PF identificou que o investigado estava realizando ações para obstruir as investigações, motivo pelo qual deflagrou esta nova fase. Os investigadores constataram que Márcio Toledo estava perseguindo e filmando um dos delegados da PF responsáveis pelo caso. Ele justificou-se a interlocutores dizendo que o investigador estaria utilizando um de seus veículos apreendidos na operação e que, por isso, teria realizado tais ações para denunciá-lo.

Os investigadores chegaram a solicitar a prisão temporária de Toledo, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, negou o pedido. O ministro entendeu que não cabe prisão temporária para casos de obstrução de investigação.

Em relatório enviado ao STF no mês passado, a PF indiciou Márcio Toledo Pinto por crimes como violação de sigilo funcional e corrupção passiva. A corporação concluiu que ele modificou e vazou informações de decisões de ministras do STJ a pedido de um lobista, em troca de pagamentos. Ele já havia sido alvo de buscas na primeira fase da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024.

As quebras de sigilo bancário identificaram que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves pagou ao menos R$ 4 milhões a Márcio por meio de uma empresa aberta em nome de sua esposa.

No relatório, a Polícia Federal sustentou não ter encontrado, até o momento, nenhum indício de envolvimento dos ministros da Corte. Essa conclusão parcial foi produzida pelo novo delegado designado pela PF para conduzir o caso, José Eloísio dos Santos Neto, e entregue ao gabinete do ministro Cristiano Zanin, relator do inquérito no Supremo.

O novo documento reforçou a ausência de elementos indicativos da participação de magistrados:

— Ressalta-se que não existem nestes autos, até o presente momento, elementos indicativos da participação de ministros do STJ no esquema criminoso engendrado pelo lobista Andreson Gonçalves. Os diálogos analisados não permitem inferir que os servidores investigados atuaram em conluio com os ministros — afirma o documento.

*AE

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