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Petista pede expulsão de Quaquá após elogios à megaoperação

Para o sociólogo Benedito Mariano, opinião do prefeito de Maricá coincide com "narrativa da extrema-direita"

Thamirys Andrade - 08/12/2025 16h14 | atualizado em 08/12/2025 17h50

Washington Quaquá Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

As opiniões do vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá (PT), em relação ao tema da segurança pública têm causado desconforto dentro da sigla e fez com que ele virasse alvo de um pedido de expulsão da legenda.

Para o sociólogo Benedito Mariano, responsável pela coordenação do programa de segurança pública da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, o dirigente partidário devia ser retirado do partido por ter elogiado a megaoperação policial contra o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos.

Na avaliação de Benedito, a posição do prefeito vai na contramão do que a legenda defende e coincide com o que ele chama de “narrativa da extrema-direita”.

– A fala do prefeito Quaquá no seminário, defendendo a operação desastrosa e irresponsável do governo do Rio de Janeiro, vai na contramão do que propõe o PT. Ele tem a mesma narrativa da extrema-direita – argumentou em entrevista à Folha de S.Paulo.

Para o sociólogo, se Quaquá permanecer no partido, será somente por “pragmatismo eleitoral”.

As falas criticadas por Benedito foram proferidas pelo prefeito durante um seminário do PT realizado em 1° e 2 de dezembro. Na ocasião, o petista afirmou que a polícia “só matou vagabundo” e tinha que ter eliminado “mil” deles.

– Ou a gente entra nesses territórios para mudar a prática e a vida do território e libertar a vida do povo. Se a gente não faz isso, ninguém o fará. É óbvio que a polícia do Rio, o Bope, só matou ali otário, vagabundo, bandido. Eu perguntei: “Tem trabalhador aí?”. Não. Tudo bandido. Eu acho que a operação foi malsucedida não é pelo número de mortos. O Complexo da Penha tem mais de mil soldados do tráfico. Então, se fosse para matar, tinha que matar mil soldados. A questão é que a operação foi uma operação de entrar e não de ocupar – avaliou ele, durante seminário do partido sobre segurança pública no Rio de Janeiro.

Na avaliação de Quaquá, uma das dimensões do combate à segurança é a “ocupação democrática do território”, que precisa ser liberado pelas “forças do Estado Democrático de Direito” via “combate militar”.

O petista já havia se manifestado de forma favorável à megaoperação por meio das redes sociais. No dia seguinte à ação, Quaquá afirmou que “ninguém enfrenta fuzil com beijinho” e que “quem morreu no meio da mata portando fuzil, morreu numa guerra”.

A Operação Contenção é considerada a mais letal da história do estado. Entre os 122 mortos, cinco eram policiais, e os demais, acusados de envolvimento com o Comando Vermelho (CV). Além disso, a ação resultou em 113 prisões e mais de cem armas apreendidas.

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