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Olimpio: “Esse é o João Doria, uma verdadeira praga bíblica”

Candidato na disputa à presidência do Senado, Major Olimpio fala de suas insatisfações

Virgínia Martin - 29/01/2021 18h40 | atualizado em 30/01/2021 07h44

Senador Major Olímpio concorre à presidência do Senado Foto: Câmara dos Deputados/ Gabriela Korossy

Na próxima segunda-feira (1), o Senado escolhe seu próximo presidente até o ano de 2023. Entre os quatro candidatos que disputam a presidência, está o senador Sérgio Olimpio Gomes, mais conhecido como Major Olimpio (PSL-SP), que disse que espera contar com o apoio do grupo que compõem o Muda Senado.

Pleno.News entrevistou Major Olimpio, a fim de saber quais são algumas de suas percepções neste curto período de pré-eleição. O senador revela que tem feito carreatas pelo estado de São Paulo e está em pleno movimento. Afirma que, enquanto não tiver pelo menos 60% da população vacinada para dar a imunidade de rebanho, vai ser difícil enfrentar a pandemia.

O senhor avaliou como maldosa a atitude do governador João Dória de cortar 80 milhões da saúde do estado e fez questão de repassar milhões para a Santa Casa e para hospitais filantrópicos. Como avalia esta sua reação?

Qualquer corte de saúde pública é sempre ruim. E é lógico que houve maldade do João Doria em relação a isso, atacando politicamente as regiões onde ele tem adversários políticos. Quando eu tive a oportunidade, como relator, na lei que destinou 2 bilhões de reais para as santas casas e hospitais públicos, para 232 municípios no estado de São Paulo destinei 331 milhões. Fiz a minha obrigação como senador de São Paulo, como representante do estado de São Paulo.

Qualquer corte de saúde pública é sempre ruim

Sobre ICMS, que tem sido uma luta mensal na vida de várias classes de trabalhadores e empresas, o que sugere como solução para este e outros encargos, já que ainda não temos uma Reforma Tributária?

Em relação a ICMS, é uma barbaridade! Hoje eu estive em Presidente Epitácio, a 650 km de São Paulo, justamente fazendo uma manifestação. E anteontem, com 1.200 caminhões frigoríficos, fiz uma carreata até o Palácio dos Bandeirantes, porque o governador desgraçadamente aumentou – por [meio de] um decreto que é ilegal, inconstitucional – centenas de produtos… por exemplo, a carne e seus derivados, o leite e seus derivados…

Esse é o João Doria, uma verdadeira praga bíblica

Isso impacta demais na mesa do cidadão. O pobre cada vez menos tem condição de se alimentar. Ele aumentou o ICMS de hortifrútis granjeiros e de outros produtos da cesta básica. Ele aumentou o ICMS de materiais médicos especiais… por exemplo, os estentes, rins artificiais, remédios para câncer…

Esse é o João Doria, uma verdadeira praga bíblica aqui no estado de São Paulo. Por isso, que a população está protestando e por isso que nós estamos judicializando, para que seja revisto esse absurdo.

O senhor comentou que iria disputar a eleição para presidente do Senado com a mesma sensação do time que entra em campo sabendo que o adversário tem vantagens (cargos e emendas) e tem o juiz como seu parceiro. Por favor, explique esta conclusão.

Olha, eu fiz a comparação de disputar a presidência do Senado descalço, mesmo com sete jogadores, o jogo no gelo, o juiz e o VAR comprados e o goleiro amarrado, porque é isso o que acontece. Eu não tenho dinheiro nem caneta para dar emendas, para oferecer cargos, que é o que ‘tá fazendo o presidente Bolsonaro e seus ministros em relação à candidatura do Pacheco.

E mais… Imagine uma aliança em que nós temos o bolsopetismo. O bolsonaro unido junto com o PT pela eleição de um presidente do Senado. Tem tudo pra dar errado. Por isso eu disse que, lamentavelmente, as minhas chances são pequenas, mas eu não vou abrir mão do meu direito de dizer a barbaridade que está acontecendo.

De que forma acredita que suas características e potencialidades e vasta experiência como parlamentar podem ser estratégicas como presidente eleito do Senado?

Eu não desmereço nenhuma das candidaturas. Respeito todas as candidaturas. A dependência que terá quem vencer a eleição (em relação ao Executivo, em relação ao STF) vai ser uma relação de prostração diante dos outros poderes. E eu me vejo, pela minha independência, como o único que, se fosse presidente do Senado, ia realmente sentar naquela cadeira e ia lutar realmente pela altivez e pela independência do Legislativo, principalmente do senado.

Eu não desmereço nenhuma das candidaturas

Não iria lá sentar só pra abrir impeachment de ministro do Supremo. Mas jamais, se tivesse um caso concreto, eu deixaria de instaurar um procedimento, bem como a CPI ,até em relação ao Judiciário, como o Lava-Togas.

Bem como, eu ia defender a mudança no regimento interno para toda votação ser aberta – [pois] o povo quer saber como vota cada senador – e não escondido atrás do voto secreto. Mas eu vejo muita dificuldade de isso acontecer. Por isso, eu acho que poderia ajudar muito o Brasil e o senado se eu fosse o presidente.

Qual tem sido a sua percepção sobre a evolução de transmissão do coronavírus no país e sobre a situação em Manaus? E ainda, acredita na obrigatoriedade da vacina? Acha que o lockdown é fundamental?

O vírus é mortal mesmo. Já tivemos mais de 220 mil vidas ceifadas. O negacionismo é uma idiotice que, infelizmente, foi praticada pelo presidente e replicada por muita gente, e isso só aumentou o potencial de pessoas contagiadas e pessoas que se negam a ter medidas preventivas que são necessárias (de distanciamento social, de uso de álcool em gel, de uso de máscaras)…

E Manaus, então! Chegamos ao ápice, ao absurdo. Além de ter modificações do vírus, ainda houve uma omissão completa, criminosa desde o governador até ao ministro da saúde. Uma total responsabilidade.

Tanto que eu entrei com uma representação contra o ministro Pazuello por ação e por omissão, e [ela] foi acolhida pela PGR e foi acolhida mais ainda pelo STF, pelo ministro Lewandowisk. E foi instaurado um inquérito da Polícia Federal, e eu espero que ele seja condenado e responsabilizado de forma administrativa e também cível.

Entrei com uma representação contra o ministro Pazuello

E o senhor acredita, em meio a esta crise, na obrigatoriedade da vacina?

Com relação à obrigatoriedade da vacina, eu não creio que seja [algo] obrigatório. Nós temos que ir levando na conscientização [do povo]. Nesse momento, não adianta obrigar porque não tem vacina pra todo mundo; e mesmo que tivesse… Por isso é que se faz campanhas de sensibilização.

Tem algumas pessoas que são negacionistas mesmo, que vão se negar a usar [a vacina]. E depois, lá na frente, se for o caso, para que não haja mais contágio da população, [pode-se] obrigar essas pessoas [a serem imunizadas]. Mas, nesse momento, não é necessária essa obrigatoriedade. Nós estamos longe de ter vacina pra todos. Não dá pra obrigar!

 

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