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O que foi o caso Dreyfus, citado por advogado de Bolsonaro no STF

Oficial judeu do Exército francês foi condenado com base em acusações falsas

Paulo Moura - 04/09/2025 11h45 | atualizado em 04/09/2025 12h36

Paulo Amador, advogado de Bolsonaro Foto: Gustavo Moreno/STF

Nesta quarta-feira (3), segundo dia de julgamento da suposta trama de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), um dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Paulo da Cunha Bueno, fez uma analogia entre o julgamento do político com um dos episódios mais célebres de erro judiciário da história: o caso Dreyfus, ocorrido na França no fim do século 19.

– Senhores ministros, não permitamos, em hipótese alguma, criarmos neste processo uma versão brasileira e atualizada do emblemático caso Dreyfus, curiosamente também capitão de artilharia, curiosamente acusado de crime contra a pátria, curiosamente condenado com base em um rascunho de documento apócrifo, curiosamente teve seu exercício de defesa constrangido em determinada altura e inegavelmente um dos casos que representa uma cicatriz na história jurídica do Ocidente – disse Bueno.

A referência ecoou uma declaração que já tinha sido feita no dia anterior pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nas redes sociais, ele escreveu:

– Jair Bolsonaro é o novo Caso Dreyfus, um dos maiores escândalos de erro judiciário no mundo. A História vai colocar os perseguidores em seu devido lugar – escreveu.

SOBRE O CASO DREYFUS
Em 1894, após um julgamento a portas fechadas num tribunal militar, o capitão Alfred Dreyfus, oficial judeu do Exército francês, foi condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, acusado de repassar segredos militares à Alemanha.

O caso se transformou em uma das maiores crises da Terceira República e num símbolo do antissemitismo. Após anos de campanha de defesa liderada por familiares e intelectuais — incluindo o famoso artigo J’accuse! (Eu acuso!, em português) do escritor Émile Zola, publicado em 1898 — ficou provado que as alegações contra Dreyfus eram falsas e que o verdadeiro culpado era o comandante Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy.

Em 1906, após revisão pela Suprema Corte francesa, Dreyfus foi inocentado, readmitido no Exército e condecorado com a Legião de Honra. O episódio, no entanto, abalou profundamente a confiança dos franceses nas instituições e se tornou sinônimo de injustiça judicial.

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