Nikolas leva sigilo do Itamaraty sobre hóspedes ao TCU
Residências oficiais no exterior foram usadas como hospedagem para aliados do governo
Leiliane Lopes - 31/03/2026 18h22 | atualizado em 31/03/2026 18h59

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta terça-feira (31), na rede social X, que irá pedir explicações ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil após a pasta negar acesso à lista de pessoas hospedadas em residências oficiais do Brasil no exterior durante o governo Lula (PT). O parlamentar disse que apresentará um pedido de informações e uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU).
– Segundo reportagem do Metrópoles, o Itamaraty hospedou nomes ligados à base do Governo Lula em residências oficiais internacionais. Ao serem questionados, o MRE decretou sigilo e negou as informações sob alegação de que a apuração “sobrecarregaria” o Ministério. Piada. Diante disso, protocolarei pedido de informações ao MRE e representação no TCU contra o sigilo e a negativa à imprensa. Pra quem dizia que acabaria com todos os sigilos do governo anterior, mais uma promessa que ficou só no discurso – escreveu o parlamentar.
A declaração do deputado ocorre após o Itamaraty manter sob sigilo a relação de hóspedes de 24 residências oficiais brasileiras no exterior. O pedido foi feito com base na Lei de Acesso à Informação pela coluna da jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles.
Ao negar o acesso aos dados, o ministério afirmou que reunir as informações poderia “sobrecarregar o órgão destinatário, desestabilizar suas operações e desorganizar suas funções”. A pasta também classificou o pedido como “desproporcional” e “desarrazoado”.
Apesar da negativa, alguns casos de hospedagem vieram a público. Em abril de 2025, Lula e a primeira-dama, Janja da Silva, ficaram no Palácio Pamphilij, residência oficial do Brasil em Roma, durante viagem para o funeral do papa Francisco.
No fim do mesmo ano, o local também recebeu o humorista Fábio Porchat, convidado pelo embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca. Durante a estadia, ele publicou um vídeo nas redes sociais ironizando a polêmica envolvendo a marca Havaianas.
Segundo o Metrópoles, o pedido de acesso envolvia apenas parte das representações brasileiras no exterior, já que o país possui 133 postos diplomáticos. Mesmo assim, a negativa foi mantida em todas as etapas de recurso previstas na Lei de Acesso à Informação. O caso agora deverá ser analisado pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Enquanto os nomes dos hóspedes permanecem em sigilo, os gastos com as residências são públicos. Em 2025, o Itamaraty reservou cerca de R$ 240,5 milhões para manter em funcionamento embaixadas e imóveis diplomáticos, incluindo despesas com aluguel, obras, manutenção e funcionários.
Parte dos recursos foi usada em visitas oficiais de Lula e Janja. Em uma viagem ao Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, em outubro de 2025, a embaixada empenhou R$ 10,1 mil para compra de insumos destinados à visita do casal presidencial e R$ 2,5 mil para aquisição de velas usadas nos candelabros da residência oficial.

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