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Morre militar que combateu a Guerrilha do Araguaia

Major Curió tinha 87 anos de idade

Pleno.News - 17/08/2022 12h22 | atualizado em 17/08/2022 14h42

Presidente Jair Bolsonaro recebeu Major Curió, em 2020 Foto: PR via Facebook do senador Chico Rodrigues

Figura emblemática do regime militar na Amazônia, o agente da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curió, de 87 anos, morreu às 2 horas da madrugada desta quarta-feira (17). Ele estava em um hospital particular em Brasília, no Distrito Federal.

Há cinco anos, Curió vivia recolhido em sua casa na capital federal. Internado na noite de segunda-feira (15), ele sofreu sepse e falência múltipla dos órgãos.

Filho de uma lavadeira e um barbeiro de São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas Gerais, Curió ganhou o apelido no tempo de estudante no colégio militar e lutador de boxe amador em Fortaleza, no Ceará. Personalizou como poucos a geração militar do pós-guerra, que tinha como paradigma na carreira a atuação dos pracinhas na Itália.

Após se formar na Academia Militar das Agulhas Negras, Curió atuou no interior paulista e paranaense. À frente do batalhão de Francisco Beltrão, pôs sua tropa, em 1957, a favor de posseiros do município de Capitão Leônidas Marques, que travavam uma guerra com as forças enviadas pelo governador Moysés Lupion.

Em abril de 1964, Curió seguiu para a cidade natal, onde promoveu um insólito julgamento dos “comunistas” locais. Um primo dele foi condenado à prisão, causando um racha na família. Era tempo de guerra fria e do avanço dos tratores do Brasil Grande, na Amazônia.

Curió era agente do Centro de Inteligência do Exército, o antigo CIE, quando passou a atuar contra movimentos armados de oposição ao regime. Em 1972, o general Milton Tavares, chefe do órgão, organizou um plano de infiltração no Bico do Papagaio, região do sul do Pará e norte de Goiás, hoje Tocantins. Buscava informações para uma ofensiva final contra uma guerrilha organizada pelo PCdoB, dissidência do antigo PCB.

As duas primeiras campanhas militares com tropas convencionais, entre abril e setembro de 1972, foram derrotadas pelo grupo de cerca de 100 guerrilheiros dos quais uma parte era formada por estudantes universitários e militantes das grandes cidades e outra, por moradores arregimentados.

OPERAÇÃO SUCURI
O CIE entregou a Curió a chefia em campo da Operação Sucuri. O agente fez um mapa com registros dos locais de movimentação do “povo da mata” ou “paulistas”, como os guerrilheiros eram conhecidos pela população ribeirinha e sertaneja. Para isso, infiltrou homens pelo Araguaia que se passavam por barqueiros, donos de bodega, garimpeiros e pequenos agricultores.

A partir das informações coletadas pela Sucuri, os generais Emílio Garrastazu Médici, que ocupava a Presidência da República, Orlando Geisel, da pasta do Exército, e Milton Tavares, do CIE, puseram em prática a terceira e última campanha contra a guerrilha. Dessa vez, os militares enviados ao Araguaia eram apenas homens formados em guerra na selva.

Em 1982, Médici afirmou que Curió “sabia de muita coisa”. Foi o suficiente para se criar na opinião pública uma expectativa sobre a abertura do arquivo pessoal do agente, que poderia trazer informações sobre as mortes de guerrilheiros nas prisões.

Ainda na década de 80, o então presidente João Figueiredo determinou que Curió se candidatasse nas eleições daquele ano a deputado federal. Foi eleito e ainda catapultou campanhas de aliados do governo. Em 1984, o deputado Curió, do PDS governista, chefiou o maior levante da história contemporânea da Amazônia. Garimpeiros fizeram barricadas em todos os acessos ao sul do Pará e ao Projeto Carajás para protestar contra o fechamento de Serra Pelada e o controle da Vale na mina.

SEPULTAMENTO
Sebastião Curió será sepultado com farda e boina de Guerra na Selva. Com Maria de Lourdes, que conheceu ainda em Minas e aniversariava neste dia 17, ele teve cinco filhos. Teve ainda um filho com Vera Lúcia.

*AE

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