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Moro negou interferência de Bolsonaro na PF ao Roda Viva

Durante participação no programa em janeiro, ele disse que o presidente sempre apoiou as investigações

Henrique Gimenes - 25/04/2020 15h02 | atualizado em 25/04/2020 16h04

Sergio Moro no programa Roda Viva, da TV Cultura Foto: Marcello Fim/Zimel Press/Agência O Globo

Nesta sexta-feira (24), ao pedir demissão do Ministério da Justiça, Sergio Moro deu como uma das justificativas para sua decisão o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter tentado interferir na Polícia Federal (PF). No entanto, a declaração foi diferente do que ele havia afirmado no dia 20 de janeiro durante sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Na ocasião, o então ministro da Justiça foi questionado sobre alguma intervenção feita por Bolsonaro em investigações. Ele negou qualquer atuação do presidente nesse sentido.

– O presidente sempre apoiou, sempre entendeu que tinha que ser investigado. Que isso tinha que ser elucidado. Houve investigação da PF. Nunca houve qualquer interferência indevida do presidente. Nunca houve qualquer afirmação de “não faça isso, não faça aquilo”. Sempre se trabalhou para que os fatos fossem da melhor maneira elucidados – declarou.

Nesta sexta, porém, seu posicionamento foi diferente ao falar sobre a demissão de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal.

– Não haveria uma causa para essa substituição. E estaria claro que estaria havendo ali uma interferência política na Polícia Federal, o que gera um abalo na credibilidade, não minha, mas minha também, mas também do governo – explicou.

Ele também disse que considerou a atitude uma interferência na carta branca que foi prometida quando entrou para o governo.

– É, não é uma questão do nome [de Valeixo]. Tem outros bons nomes para assumir o cargo de diretor da Polícia Federal, outros delegados igualmente competentes. O grande problema de realizar essa troca [na PF] é que primeiro haveria uma violação de uma promessa que foi feita inicialmente, que eu teria carta branca – disse.

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