Michelle fala em “saidão” e critica veto de Moraes em Dia dos Pais
Ex-primeira-dama falou sobre liberação para detentos, enquanto Bolsonaro não pôde receber visita
Kleber Pizão e Paulo Moura - 12/08/2026 15h56 | atualizado em 12/08/2026 18h04

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de vetar visitas dos filhos a Jair Bolsonaro (PL) no Dia dos Pais, celebrado no último domingo (9). A declaração ocorreu durante o evento de gravação de materiais de campanha do Partido Liberal (PL).
Michelle lembrou o benefício da saída temporária de detentos em datas como esta para estarem com seus familiares.
— A gente viu que teve o “saidão”, né? Os criminosos saíram dos presídios para visitar os seus pais e o meu marido foi vetado de ter a companhia dos seus filhos por 30 minutos apenas, né? — comparou.
A visita havia sido solicitada pela defesa de Bolsonaro em caráter excepcional. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária por tentativa de golpe de Estado e está proibido temporariamente de receber visitas dos filhos, e o prazo é três vezes maior para Flávio Bolsonaro. Além de filho, o candidato à Presidência também é parte do corpo de advogados que compõe a defesa de Jair.
Apesar da frustração com a negativa, a esposa de Bolsonaro demonstrou fé e confiança na Justiça.
— A gente tá seguindo firme, orando e pedindo para que Deus faça justiça e para que a gente tenha um momento de pacificação do país — afirmou.
O evento, ocorrido na casa de José Vicente Santini, um dos coordenadores da campanha de Flávio, foi o primeiro encontro entre o senador e a ex-primeira-dama após a publicação de um vídeo no fim de junho no qual ela disse ter sido humilhada pelo senador. A conciliação ocorreu no último dia 23, quando Flávio pediu desculpas publicamente e recebeu o perdão de Michelle no mesmo dia.
Além de fotos e vídeos para materiais de campanha e para o horário eleitoral gratuito, o encontro no DF também reuniu 47 candidatos ao Senado aliados de Flávio nas eleições de outubro. O objetivo era alinhar discursos e estratégias para a campanha.
SAIDINHA E SUAS MUDANÇAS
A saída temporária foi alvo de forte embate político a partir de 2024. Naquele ano, o Congresso Nacional aprovou um projeto que extinguia a saidinha em datas comemorativas, como Natal e Páscoa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porém, vetou a proposta, mantendo o benefício para presos que não cometeram crimes hediondos com resultado de morte e que atendessem a alguns requisitos.
O veto presidencial, no entanto, foi derrubado pelo Congresso, que teve a palavra final. Com isso, foi promulgada a Lei 14.843/2024, que alterou a Lei de Execuções Penais e acabou com a saída temporária para visitas familiares em datas festivas, mantendo o benefício apenas para situações ligadas a estudo ou trabalho externo, sob novas regras.
No entanto, desde que a lei sobre o fim das saídas temporárias foi promulgada pelo Congresso, em maio do ano passado, as defesas de milhares de presos têm acionado o Judiciário para tentar impedir que a proibição das saídas temporárias seja aplicada aos seus clientes. O questionamento decorre da regra constitucional de que uma lei penal mais grave não pode ter aplicação retroativa.
Com isso, a questão chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que vai definir se quem cumpria pena de prisão quando o Congresso acabou com a chamada “saidinha” de presos continua a ter direito ao benefício. Em março de 2025, a Corte entendeu que o caso tem repercussão geral, ou seja, o desfecho do processo deverá ser seguido para todos os casos semelhantes que tramitam em instâncias inferiores.
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