Master: PF diz que Ciro Nogueira seria “destinatário” de vantagens
Polícia diz que político teria utilizado o mandato parlamentar para atuar em favor de interesses privados ligados ao banco
Paulo Moura - 07/05/2026 09h04 | atualizado em 07/05/2026 11h43

A Polícia Federal (PF) afirma que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de mandados de busca e apreensão na 5ª fase da Operação Compliance Zero, seria o “destinatário central” de supostas vantagens indevidas oferecidas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação consta em relatório da PF citado na decisão judicial que autorizou a operação deflagrada nesta quinta-feira (7).
Segundo os investigadores, Ciro teria utilizado o mandato parlamentar para atuar em favor de interesses privados ligados ao banco. De acordo com a apuração, a relação entre o senador e Vorcaro envolveria recebimento recorrente de benefícios.
Entre os elementos apontados pela PF estão pagamentos mensais, quitação de despesas pessoais, uso de bens de alto valor, além da aquisição de participação societária em empresas por valor com desconto considerado elevado. Os investigadores também relatam indícios de repasses em dinheiro vivo.
Um dos principais episódios descritos pela investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à chamada PEC da Autonomia Financeira do Banco Central. A proposta busca alterar a Constituição para ampliar a autonomia técnica, administrativa, operacional e orçamentária do Banco Central.
Segundo a PF, uma emenda de autoria do senador previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida favoreceria diretamente o Banco Master, que adotava estratégia agressiva de captação por meio de certificados de depósito bancário (CDBs) protegidos pelo fundo.
A Polícia Federal afirma que o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do próprio Banco Master. Ainda segundo a investigação, o documento foi encaminhado a Daniel Vorcaro e posteriormente entregue ao senador em um envelope na residência dele. A corporação sustenta que a proposta protocolada no Senado reproduziu integralmente a versão enviada pelo banco.
Em uma conversa já divulgada anteriormente, Vorcaro comemorou a apresentação da proposta.
– Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco – escreveu o empresário.
Segundo a decisão judicial, após a publicação da emenda, Vorcaro também teria afirmado que o texto “saiu exatamente” como ele tinha mandado. A investigação aponta ainda outros indícios de atuação legislativa alinhada a interesses privados. Até o momento, nem Ciro Nogueira nem sua defesa se manifestaram publicamente sobre as acusações apontadas pela Polícia Federal.
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