Marinho critica Moraes por veto à visita de Flávio a Bolsonaro
Líder da Oposição no Senado fala em "tratamento desigual"
Leiliane Lopes - 13/07/2026 17h35 | atualizado em 14/07/2026 12h18

Nesta segunda-feira (13), o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição no Senado, criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias. A medida foi tomada após Flávio divulgar uma carta escrita por Bolsonaro.
Na decisão, Moraes também deu prazo de 48 horas para a defesa do ex-presidente explicar a divulgação da carta. O ministro avalia se houve descumprimento das medidas cautelares impostas a Bolsonaro, que impedem o uso de redes sociais, direta ou indiretamente. A carta ainda reforça que Flávio é o porta-voz e o escolhido por Bolsonaro para disputar a Presidência.
Em nota, Marinho afirmou que a decisão é “autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável”. Segundo o senador, a medida representa uma interferência no cenário político e reforça a percepção de perseguição contra Bolsonaro e seus aliados.
– A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político – diz o parlamentar.
Para Marinho, a “medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual” e “parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição”.
O senador também comparou o caso com a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, pois, o petista recebeu visitas, manteve interlocução com aliados e concedeu entrevistas durante o período em que esteve preso.
– O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais.
O senador concluiu que impedir o contato entre pai e filho representa uma violação ao princípio da igualdade perante a lei e classificou a medida como uma tentativa de silenciar Bolsonaro.
– Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.
E continuou:
– Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa.
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