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Maia e Lira trocam “ataques” durante reunião na Câmara

Discussão ocorreu devido ao registro do bloco do candidato Baleia Rossi

Pleno.News - 01/02/2021 16h54 | atualizado em 01/02/2021 17h36

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e deputado Arthur Lira Foto: Arte/Pleno.News

A eleição da Câmara dos Deputados se transformou num bate-boca nesta segunda-feira (1º), com troca de acusações entre Arthur Lira (PP-AL), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que apoia Baleia Rossi (MDB-SP).

Tudo começou quando o PT alegou ter problemas técnicos para registrar apoio a Baleia Rossi e que, por isso, teria perdido o prazo, que se encerrava às 12h. Diante das dificuldades, Maia convocou reunião de líderes para permitir o registro do bloco. Alguns líderes do bloco de Baleia relembraram que o mesmo problema técnico teria ocorrido há dois anos e impediu o PDT de ficar com cargos na Mesa Diretora.

A decisão final sobre reconhecer o registro do bloco cabia apenas a Maia, como presidente da Casa. A reunião já começou tensa, com Maia e Lira gritando um com o outro. Lira disse ter consultado o diretor técnico da Casa, que teria informado não haver problema nenhum no sistema e que todos os outros partidos conseguiram fazer o registro no prazo – Rede, PV, PCdoB, Cidadania, PDT, MDB, PSDB, Solidariedade e PSB.

– É só uma questão de coerência temporal. Todos cumpriram o prazo, menos o PT – disse Lira, segundo parlamentares presentes à reunião.

Diante dos protestos de Lira, Maia respondeu.

– Eu sou presidente da Câmara hoje. Eu decido. Amanhã você pode decidir – apontou.

Irritado, Lira bateu a mão na mesa.

– Vossa excelência está atropelando – disse ele.

Maia cobrou respeito.

– Você não está em Alagoas. Não bata na mesa – ressaltou.

Lira, por sua vez, manteve o tom.

– E você não está no morro do Rio de Janeiro – afirmou.

A líder do PCdoB na Casa, Perpétua Almeida (AC), disse que o não reconhecimento do bloco de Baleia era uma tentativa de Lira de levar todos os cargos da mesa no “tapetão”.

– Todo mundo sabe quais são os blocos – disse a deputada.

Apoiadora de Lira, a deputada Soraya Santos (PSL-RJ) citou um relatório interno da Casa e afirmou que o bloco de Baleia somente tentou fazer o registro às 13h10.

– Ninguém quer tirar cargo da mesa no tapetão, mas a lei não atende aos que dormem – afirmou.

Maia disse que a decisão já estava tomada.

– Não vou mudar. Nenhum debate vai mudar. Não há recurso – afirmou Maia.

Em seguida, ele começou a distribuir os cargos da Mesa Diretora de acordo com os blocos. Como são os maiores partidos da Casa, Maia deu a primeira escolha ao PSL e a segunda ao PT.

Lira continuou com os protestos.

– Se você quiser fazer a eleição em outro dia, é só dizer, porque assim não vai ter eleição – afirmou.

Maia disse então que Lira havia prometido “o que não tinha para entregar”, em referência aos cargos da Mesa, que não ficariam mais apenas com o bloco de Lira.

Lira respondeu.

– Não sou você, não – disse.

Foi quando os líderes pró-Lira decidiram deixar a reunião, em protesto.

– Ninguém vai ficar nessa bagunça – disse o líder do PL, Wellington Roberto (PB), acompanhado de Marcos Pereira (Republicanos-SP).

Lira reagiu.

– Você é o valentão, o dono do Brasil – afirmou a Maia.

O líder do PSL, Felipe Francischini (PR), levantou a possibilidade de a eleição na Câmara terminar na Justiça. Mas, passados alguns minutos, Lira e os líderes que o apoiam decidiram voltar para a reunião.

– Não vamos complicar uma eleição já ganha […] O que aconteceu hoje mostra que todos precisam ter voz – destacou Lira

Ao fim da discussão, o bloco de Baleia Rossi conseguiu fazer o registro com dez partidos, incluindo PT, que alegou problemas técnicos, além do PSDB e do Solidariedade, que cogitaram ficar neutros na disputa.

*Estadão

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