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Lula temia que cassação tornasse Moro um “mártir da direita”

Presidente cogitou que vitória do PT nesse caso fortalecesse o ex-juiz politicamente

Thamirys Andrade - 22/05/2024 16h25 | atualizado em 22/05/2024 17h02

Senador Sergio Moro em discurso no Plenário do Senado Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encarava com inquietação uma eventual cassação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR), solicitada por sua sigla, o Partido dos Trabalhadores (PT). Na avaliação do chefe do Executivo, se por um lado a retirada do mandato do ex-juiz representasse um revés ao seu algoz na Lava Jato, por outro, poderia fortalecê-lo politicamente, transformando-o em um “mártir da direita”.

As informações foram repassadas por interlocutores governistas no Congresso à colunista Roseann Kennedy, do jornal O Estado de São Paulo.

Na visão de Lula, caso Moro perdesse seu cargo no Senado, poderia se apresentar como “perseguido pela Justiça” e ter força suficiente para emplacar um aliado em seu lugar na eleição suplementar. Aliado esse que poderia ter posicionamentos ainda mais contundentes em favor da direita e do apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ademais, o PT não possuía uma estratégia bem definida no Paraná, pois não havia um acordo sobre quem disputaria o cargo do senador. Uma nova eleição poderia significar uma nova derrota para a legenda petista.

SOBRE O JULGAMENTO
Nesta terça-feira (21), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, rejeitar o pedido de cassação do mandato do senador Sergio Moro. A decisão foi referente às ações movidas pelo PT e PL acusando o parlamentar de abuso de poder econômico.

O relator do caso, ministro Floriano de Azevedo Marques, rejeitou todas as acusações levantadas, como abuso de poder econômico, caixa 2, uso indevido dos meios de comunicação e irregularidades em contratos.

– O que estou a considerar é que gastos dessa proporção diante das circunstâncias do caso, além do lapso temporal longo da alegada pré-campanha, se apresenta bastante razoável e proporcional, não configurando abuso na pré-campanha – disse Marques.

Acompanharam o voto do relator os ministros André Ramos Tavares, Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques, Raul Araujo, Isabel Gallotti e Alexandre de Moraes.

Pelo X, o senador fez uma publicação celebrando a decisão unânime do TSE:

– Os boatos sobre a cassação de meu mandato foram exagerados. Em julgamento unânime, técnico e independente, o TSE rejeitou as ações que buscavam, com mentiras e falsidades, a cassação do meu mandato. Foram respeitadas a soberania popular e os votos de quase 2 milhões de paranaenses. No Senado, casa legislativa que integro com orgulho, continuarei honrando a confiança dos meus eleitores e defendendo os interesses do Paraná e do Brasil – escreveu Sergio Moro.

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