Lula recebe Mulino, presidente do Panamá, e cita soberania do canal
Declarações do petista ocorrem após pressão de Trump sobre o controle do canal panamenho
Thamirys Andrade - 28/08/2025 16h11 | atualizado em 28/08/2025 17h46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, nesta quinta-feira (28), o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, no Palácio do Planalto. Na ocasião, o líder brasileiro defendeu a soberania panamenha sobre o canal do Panamá, após manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando a intenção de retomar o controle da rota hidroviária.
– O comércio internacional é utilizado como instrumento de incursão e chantagem. Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá pelo canal, conquistada após décadas de luta. Há mais de 25 anos, o país administra o corredor marítimo com eficiência e respeito, garantindo o trânsito sem neutralidade, seguro a navios de todas as origens – declarou o petista.
O chefe do Executivo afirmou ainda que vai aderir ao tratado de neutralidade e funcionamento do Canal do Panamá, que já conta com a adesão de mais de 140 países. Além disso, foi assinado um memorando a fim de otimizar as exportações brasileiras no local.
Com mais de 80 quilômetros de extensão, o canal do Panamá é uma das maiores passagens interoceânicas artificiais do mundo. Ele foi construído pelos Estados Unidos, que possui forte interesse na passagem por motivos comerciais – haja vista que 40% do tráfego de contêineres dos EUA passam pelo Panamá -, mas também por razões militares, a fim de garantir que esquadras estadunidenses possam passar do Oceano Atlântico para o Oceano Pacífico e vice-versa com rapidez em eventuais contextos de guerra.
Recentemente, o presidente Donald Trump demonstrou insatisfação com a administração do Panamá sobre a região e defendeu que a rota foi entregue de “forma tola” ao país. Segundo o republicano, o Panamá tem cobrado taxas altas aos navios estadunidenses e permitido uma influência indevida da China sobre o local. O chefe da Casa Branca argumenta que os EUA deveriam ter o direito de atravessar o canal sem custos.
Em abril de 2025, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth afirmou que o canal seguiria sob o controle panamenho, mas frisou a importância de conter a influência chinesa sobre a passagem.
Segundo reportagem do Washington Post publicada no último dia 9, a pressão exercida por Trump surtiu efeitos positivos para os EUA, levando os líderes panamenhos a se distanciarem de Pequim. Eles permitiram que os EUA derrubassem as torres de telecomunicações da Huawei e se retiraram da Iniciativa Cinturão e Rota, programa de infraestrutura internacional chinês.
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