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Lula diz que “democracia corre risco como no período nazista”

Presidente participou de encontro com chefes de Estado no Chile

Pleno.News - 22/07/2025 14h55 | atualizado em 22/07/2025 16h01

Luiz Inácio Lula da Silva, durante declaração conjunta à imprensa no Palácio de La Moneda Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou o crescimento do que chamou de “extremismo” no mundo atual com o período de ascensão do Partido Nazista na Alemanha, na década de 30. A declaração foi dada a jornalistas, na tarde desta segunda-feira (21), em Santiago, no Chile, onde o petista participou da reunião Democracia Sempre , organizada pelo presidente chileno Gabriel Boric.

– Por que que nós estamos fazendo esse movimento? Porque a democracia corre risco com o extremismo como ocorreu na fundação do Partido Nazista, com a questão da ascensão do [Adolf] Hitler. O que nós queremos é democracia, não importa que seja de direita, que seja de esquerda, que seja de centro. O que nós queremos é o exercício da democracia, com tolerância, com respeito à diversidade, com respeito ao pensamento ideológico, com respeito à cultura de cada país, a cada religião. É isso que eu quero para o Brasil – disse Lula.

Também participaram do evento os líderes da Colômbia, Gustavo Petro; da Espanha, Pedro Sánchez; e do Uruguai, Yamandú Orsi. Na sequência da reunião reservada entre os líderes, eles se encontraram com representantes da sociedade civil, do meio acadêmico e de grupos de reflexão sobre políticas públicas.

As discussões envolveram três temas: defesa da democracia e do multilateralismo; combate às desigualdades; e tecnologias digitais e o enfrentamento à desinformação. Para Lula, é preciso ações concretas e urgentes diante do agravamento da ofensiva antidemocrática no mundo.

Após o encontro entre os presidentes, eles divulgaram uma declaração conjunta com compromissos e consensos.

O documento, publicado pelo Palácio Itamaraty, destaca ações como:

– A promoção de um multilateralismo inclusivo e participativo;
– A reforma do sistema de governança global;
– O fortalecimento de uma diplomacia democrática ativa, baseada na cooperação entre Estados que compartilham os valores da democracia, da justiça social, dos direitos humanos e da soberania;
– Reafirmar o compromisso com a paz, o respeito ao direito internacional e a direitos humanitários.

ESCALADA DE TENSÕES
O encontro no Chile já estava marcado há algum tempo, mas acontece no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% contra o Brasil. Sobre esse tema, ainda na conversa com jornalistas, Lula enfatizou que, até o momento, não há uma guerra tarifária aberta com os Estados Unidos, porque o Brasil não reagiu.

– Nós não estamos numa guerra tarifária. Guerra tarifária vai começar na hora que eu der a resposta ao Trump, se [ele] não mudar de opinião. Porque as condições que o Trump impôs não foram condições adequadas – afirmou.

O presidente brasileiro, contudo, alegou otimismo com uma solução negociada para o impasse e voltou a destacar a necessidade dos empresários se envolverem em uma pressão conjunta.

– Eu estou com uma certa tranquilidade. Primeiro porque eu tenho o Ministério do Exterior trabalhando isso. Eu tenho uma pessoa da qualidade do Alckmin trabalhando isso. E os empresários têm que entender que antes dos governos tentarem resolver, os empresários brasileiros precisam conversar com os seus contrapartes nos Estados Unidos, porque quem vai sofrer com isso são os próprios empresários – completou.

*Agência Brasil

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