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Lava Jato diz que STF não atestou veracidade de conversas vazadas

Procuradores alegam que há "deturpação" das conversas e que as mensagens não apresentaram inocência de réus

Pleno.News - 10/02/2021 08h51 | atualizado em 10/02/2021 09h21

Sede do MPF em Curitiba, onde a força-tarefa paranaense atuou ao longo de sete anos Foto: Divulgação

Procuradores da força-tarefa da Lava Jato, incluindo o ex-coordenador do grupo Deltan Dallagnol, afirmaram na terça-feira (9) que o Supremo Tribunal Federal (STF) não atestou a veracidade ou integridade das mensagens obtidas na Operação Spoofing e agora compartilhadas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por quatro votos a um, a Corte validou o acesso do petista ao material obtido por hackers que invadiram aparelhos de diversas autoridades do país.

– A Corte Suprema concedeu acesso ao material para a defesa do ex-presidente, mas não o julgou válido ou autêntico. É lamentável que ilações acusatórias absolutamente equivocadas sejam reproduzidas de modo acrítico num julgamento da Suprema Corte. Como toda a atuação oficial dos procuradores se dá nos autos e fica registrada, se fossem verdadeiras as alegações de supostas ilegalidades, seriam facilmente constatáveis nos respectivos autos – disseram os procuradores, em nota.

A força-tarefa também alega que houve “deturpação” das conversas e que as mensagens não apresentaram inocência de réus ou prática de crimes por autoridades.

– Nada afasta a existência de um julgamento justo nos casos da operação Lava Jato, que foram revisados por três instâncias independentes do Poder Judiciário. A teoria conspiratória de que a força-tarefa perseguiu um ou outro político ou réu é uma farsa com objetivo claro de anular processos e condenações – destacam.

Mais cedo, a defesa dos procuradores divulgou nota na qual também alegava que o Supremo autorizou Lula a ter acesso às mensagens, mas não validou a veracidade delas.

– Não obstante a Segunda Turma do STF, por maioria de votos, tenha afastado sua legitimidade para recorrer, após longa sessão de mais de 4 horas de duração, também reconheceu que não atestou, em nenhum momento durante referido julgamento, a veracidade, [a] validade ou [a] integridade do material apreendido com os hackers da Operação Spoofing – afirmam os advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, que representam os procuradores da Lava Jato.

As mensagens compõem agora a principal estratégia da defesa do ex-presidente Lula para anular as decisões de Moro na Lava Jato, especialmente a condenação no caso do tríplex do Guarujá. Os advogados do ex-presidente pretendem usar as conversas para reforçar as acusações de que Moro agiu com parcialidade e encarou Lula como “inimigo” ao condená-lo a nove anos e meio de prisão.

*Estadão

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