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José Mauro Coelho se demite e deixa presidência da Petrobras

Empresa vai examinar a nomeação de um presidente interino

Paulo Moura - 20/06/2022 10h10 | atualizado em 20/06/2022 11h07

José Mauro Ferreira Coelho Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Petrobras comunicou, nesta segunda-feira (20), que José Mauro Coelho pediu demissão e não ocupa mais o cargo de presidente da empresa. A informação consta em um comunicado da companhia publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com a empresa, “a nomeação de um presidente interino será examinada pelo Conselho de Administração da Petrobras a partir de agora”.

A saída de José Mauro Coelho acontece em um momento de forte tensão entre a companhia e forças políticas do país, como o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Coelho tomou posse no comando da empresa no dia 14 de abril deste ano e passou pouco mais de dois meses no cargo. Seu antecessor no cargo, o general Joaquim Silva e Luna, havia sido demitido pelo presidente Jair Bolsonaro também em meio aos reajustes dos preços dos combustíveis.

CRÍTICAS DE BOLSONARO E LIRA
Nos últimos dias, Bolsonaro falou sobre a possibilidade da instalação de uma CPI para apurar a conduta da direção da empresa. Em entrevista concedida à rádio 96FM, de Natal (RN), na última sexta (17), o chefe do Executivo disse que já havia conversado com o presidente da Câmara, Arthur Lira, sobre a possibilidade de lançar o colegiado.

– [A ideia da CPI é] para investigarmos o presidente da Petrobras, os seus diretores e também o conselho administrativo e fiscal. Queremos saber se tem algo errado na conduta deles, porque é inconcebível se conceder um reajuste com crise e lucros exorbitantes que a Petrobras está tendo – disse Bolsonaro.

Lira, por sua vez, fez duras críticas ao posicionamento da empresa em relação aos reajustes nos combustíveis. Em um artigo publicado na Folha de São Paulo, o presidente da Câmara escreveu que “ficou escancarada a dupla face da estatal”.

– Quando quer ganhar tratamento privilegiado do Estado brasileiro, a empresa se apresenta como uma costela estatal. Mas, na hora em que lucra bilhões e bilhões em meio à maior crise da história do último século, ela grita o coro da governança e se declara uma capitalista selvagem – escreveu Lira.

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