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Jornal O Globo diz que acusar Bolsonaro de genocídio é “abuso”

Veículo afirmou que não há qualquer prática do governo federal que possa ser enquadrada como "genocídio"

Paulo Moura - 19/10/2021 13h49 | atualizado em 19/10/2021 14h45

Presidente Jair Bolsonaro Foto: Alan Santos/PR

Em um editorial publicado nesta terça-feira (19), com o título É um abuso acusar Bolsonaro de genocídio, o jornal O Globo afirmou que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) “está errado” ao tentar incluir o “genocídio de indígenas” entre os 11 tipos de crime que pretende atribuir ao presidente Jair Bolsonaro em seu relatório da CPI da Covid.

– É compreensível o interesse político do senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid, em associar a palavra “genocídio” ao presidente Jair Bolsonaro […] Renan faz eco ao grito que tomou conta das manifestações antibolsonaristas e desfralda uma bandeira que todos os adversários do presidente empunharão na campanha eleitoral de 2022. Mas está errado – afirma o jornal.

No texto, o veículo afirma que a palavra genocídio é “uma daquelas que devem ser usadas com a maior parcimônia, sob pena de banalizar o mais hediondo dos crimes” e destaca que as definições do termo ao longo da história o caracterizam como uma série de atos cometidos “com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

Editorial publicado pelo jornal O Globo Foto: Reprodução/Jornal O Globo

Por conta disso, segundo o jornal, apesar das acusações feitas por Renan Calheiros em seu relatório, não há qualquer comprovação de que o governo teve a “intenção de destruir, no todo ou em parte” qualquer grupo étnico específico, ou seja, nenhuma prática da administração Bolsonaro pode ser enquadrada como genocídio.

Entretanto, mesmo isentando o governo Bolsonaro da prática de genocídio, o veículo ainda assim acusa o governo federal de “omissão criminosa” e de ser “responsável por centenas de mortes, resultantes da falta de vacinas, da insistência em tratamentos ineficazes, da resistência a combater as invasões e o desmatamento que introduziram o vírus” em comunidades indígenas.

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