Jean Wyllys é condenado a se retratar após ofensas ao MBL
O ex-deputado chegou a recorrer da decisão, mas teve o recurso negado
Leiliane Lopes e Paulo Moura - 19/01/2026 15h32 | atualizado em 19/01/2026 17h00

No último sábado (17), o ex-deputado federal Jean Wyllys publicou uma retratação pública aos integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) para cumprir uma decisão da Justiça de São Paulo.
A retratação foi determinada pela 43ª Vara Cível da capital paulista, após o MBL ingressar com uma ação contra Wyllys por uma publicação feita nas redes sociais. No texto, divulgado na plataforma X, o ex-parlamentar reconhece que espalhou informações falsas e que não pode acusar membros do movimento de cometer crimes.
– Eu, Jean Wyllys de Matos Santos, por força do processo nº 111241-16.2024.8.26.0100, que tramita perante a 43ª Vara Cível da Comarca de São Paulo, promovida pelo Movimento Brasil Livre, em virtude da condenação judicial oriunda do feito em epígrafe, venho através do presente apresentar minha RETRATAÇÃO PÚBLICA, informando que difundi informações falsas e não posso afirmar que qualquer membro do Movimento Brasil Livre tenha cometido qualquer crime, comprometendo-me a não mais fazê-lo, sob as penas da lei – diz a publicação.
O processo teve origem em uma mensagem publicada por Jean Wyllys em defesa do deputado federal Glauber Braga, após um episódio de agressão envolvendo um integrante do MBL, nas dependências da Câmara, em abril de 2024. Na ocasião, Wyllys fez uma série de acusações contra o movimento, usando termos ofensivos e associando seus integrantes a práticas criminosas.
– Alguém tem que botar limites nesses vigaristas, ladrões, assediadores de mulheres, predadores sexuais, nazistas e mentirosos doentios. Todos devemos dar um basta nessa canalha! Ela avança porque conta com nossa paciência e decência. Mas tudo tem limite! – dizia a postagem.
A Justiça entendeu que houve excesso na manifestação e deu razão ao pedido do MBL. Jean Wyllys recorreu da decisão, mas voltou a ser derrotado na segunda instância. Os desembargadores mantiveram tanto a obrigação de retratação pública quanto a negativa ao pedido de indenização por danos morais feito pelo movimento.
Apesar de cumprir a decisão judicial, Jean Wyllys voltou a criticar membros do MBL no mesmo dia da retratação. Em uma publicação, ele citou episódios envolvendo membros do grupo, como a cassação do ex-deputado estadual Arthur do Val e declarações do deputado Kim Kataguiri sobre a Alemanha errar ao criminalizar o nazismo.
– Se o MBL e suas lideranças não puderem assumir as próprias mazelas e conviver com críticas públicas, talvez devam reconsiderar a vida política.


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