“Janja não é uma primeira-dama típica”, afirma neta de Lula
Bia Lula considera que esposa do presidente ajuda a "blindar" a imagem dele e que críticas são motivadas por "machismo"
Thamirys Andrade - 20/08/2025 11h10 | atualizado em 20/08/2025 11h59

Neta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a comunicóloga Maria Beatriz da Silva Sato Rosa – mais conhecida como Bia Lula – fez uma análise do papel que Janja da Silva tem exercido como primeira-dama. Em sua visão, a socióloga “não é uma primeira-dama típica” e gosta de “botar a mão na massa”, sendo por esse motivo alvo de “machismo” dentro e fora do governo. A jovem ainda considera que a esposa de seu avô tem blindado a imagem do presidente e ajudado na comunicação da Presidência por ser uma mulher “completamente antenada”.
– A Janja é completamente antenada. Vai pesquisando, sabendo de tudo. Ela grava, sim, meu avô em momentos íntimos, e se dá super bem com tecnologia. Acho que ela traz de volta um olhar mais humano para meu avô, que tinha se perdido com tantos escândalos, prisão, notícias ruins. Os vídeos dela mostram esse lado mais próximo: ele plantando uma árvore, pescando, cuidando dos animais abandonados. Isso aproxima o povo. Ela mostra o presidente humano, não apenas o institucional. Acho que ela tem feito um papel excelente nisso. Senão, ele ficaria só aquele cara burocrático que fala com imprensa e deputados. Esses vídeos mostram o Lula humano – declarou a comunicóloga em entrevista ao colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
Questionada sobre o fato de Janja ser alvo de críticas até mesmo entre aliados de Lula, Bia Lula afirmou ter certeza de que a primeira-dama é alvo de “machismo” e “fogo amigo” por parte daqueles que reclamam que ela estaria limitando o acesso ao presidente e influenciando suas decisões.
– Tenho certeza que o machismo é o grande X da questão. E o fogo amigo é o pior de todos. Isso existe, sim, nos bastidores. É um machismo estrutural enraizado. Fora o ciúme: “Eu queria estar mais perto, mas não consigo”, e jogam a culpa nela. Mas, bem ou mal, ela ajuda a blindar a imagem do meu avô, e isso protege. Acho que ela faz de tudo para ajudá-lo, jamais para prejudicá-lo. Quem ama não quer prejudicar – assinalou.
Para a neta do presidente, as pessoas “distorcem” as falas e a imagem de Janja, muitas vezes de forma “intencional”.
– Compará-la à Michelle Bolsonaro, por exemplo, é desnecessário. Janja não é uma primeira-dama típica: gosta de trabalhar, botar a mão na massa. Sempre trabalhou na área, e muita gente não entende. Ela não ganha salário, faz tudo porque quer, porque acredita. Cumpre bem seu papel, e as pessoas sempre vão falar, porque é mulher, porque é esposa do presidente, porque aparece mais do que o esperado. Mas eu acho que ela faz um ótimo trabalho – elogiou.
Ainda durante a entrevista, Bia Lula relatou como decidiu começar a gravar vídeos de teor político, e revelou a reação do seu avô em relação ao caso:
– Sempre encontrei uma dificuldade de enxergar na esquerda, de a gente conseguir falar fora da bolha, falar para as pessoas que realmente querem entender o que está acontecendo, só que só chega para elas a versão da extrema-direita, da família Bolsonaro, enfim. Eu sempre me questionava muito: “Poxa, a gente precisa de um nome, precisa de alguém”. E aí, conversando com um amigo, ele falou: “Por que você não faz isso? Por que você não vai, fala e tenta conscientizar as pessoas de uma maneira mais popular, mais dinâmica?”. Aí, gravei o primeiro e pensei: “Seja o que Deus quiser”. Gravei, deu certo – declarou.
– Fiquei muito surpresa, porque ele [Lula] gostou. Estava com medo de levar uma bronca, mas ele me parabenizou. Perguntei, obviamente, se poderia continuar, e ele disse que sim. Eu sempre deixei claro que não quero atrapalhar o governo. Então, em algum momento, se eu atrapalhar, tanto ele quanto qualquer outra pessoa tem a obrigação de me dizer: “Olha só, para, porque você está atrapalhando”. Minha intenção é informar, comunicar as pessoas sobre muitas coisas que acontecem nos bastidores e que não chegam para elas – adicionou.
Perguntada se tem pretensão de se candidatar a algum cargo político no futuro, Bia Lula não descartou a possibilidade.
– Acho que ainda é muito cedo para falar sobre isso, mas tudo é uma construção, né? A gente tem recebido muito feedback positivo, e isso acaba dando ânimo para pensar além da internet. Não é para agora. Mesmo que ano que vem ele [Lula] não pudesse tentar reeleição, eu não poderia concorrer, porque ele ainda estaria como chefe de Estado. Então, só daqui a quatro anos. Até lá, é tempo de construção: muito estudo, diálogo, participação, leitura, pesquisa. Não quero chegar a um Congresso ou à Câmara como outras famílias que chegam sem saber nada – completou.
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