‘Já fiz o que tinha que fazer’, diz Moraes após transferir Bolsonaro
Declaração ocorreu durante colação de grau de acadêmicos de Direito da USP
Paulo Moura - 16/01/2026 08h44 | atualizado em 16/01/2026 14h42

Nesta quinta-feira (15), horas após determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF) para o 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade que integra o Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecido como Papudinha, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse ter feito “o que tinha que fazer”.
A fala foi proferida durante a formatura da 194ª turma de Direito da Universidade de São Paulo, que aconteceu no Teatro Vibra São Paulo, em Vila Almeida, na Zona Sul da capital paulista. No momento em que deu a declaração, Moraes, que foi patrono da turma, comentava a duração das falas proferidas no evento.
– Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos, quase tive que tomar algumas medidas. Mas me contive hoje, acho que hoje já fiz o que tinha que fazer – disse, em fala que foi recebida com gritos de empolgação e aplausos do público presente ao evento.
O problema não é o Moraes dizer isso publicamente sem nenhum pudor, o problema é ele ser aplaudido num evento de Direito da USP.
Esta é a a futura geração de advogados e juristas do país. pic.twitter.com/MFKD4fqKaP
— Paulo de Tarso (@paulodetarsog) January 16, 2026
TRANSFERÊNCIA DE BOLSONARO
Algumas horas antes, o ministro determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse transferido da sede da Polícia Federal, em Brasília, para o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), mais conhecido como Papudinha.
Preso na Superintendência desde novembro do ano passado, o político conservador vinha reclamando das condições da cela, principalmente pelo barulho do ar-condicionado durante as 24 horas do dia. A PF chegou a lhe entregar um tampão de ouvido para abafar o ruído e, dias depois, concordou em desligar o equipamento no período da noite.
Fora isso, a defesa do ex-presidente também solicitava prisão domiciliar, por entender que o estado de saúde de Bolsonaro exige acompanhamento constante. Mas, ao contrário do pedido, Moraes decidiu enviá-lo ao batalhão da PM-DF, onde outros condenados por tentativa de golpe de Estado também estão presos.
Assim, Bolsonaro passará a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão onde estão o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. Ao decidir pela transferência, inclusive, Moraes chegou a usar um tom sarcástico em relação ao líder conservador ao dizer que o cumprimento de pena não era “uma estadia hoteleira” ou uma “colônia de férias”.
– Ressalte-se, entretanto, que essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de Jair Messias Bolsonaro, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias – disse Moraes.
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