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‘Invasão de telefone é crime’ diz Bolsonaro sobre Glenn

O presidente acredita que tem dinheiro envolvido no vazamento das mensagens

Mayara Macedo - 29/07/2019 13h17

Presidente Jair Bolsonaro acredita que Glenn cometeu crime Foto: PR/Marcos Corrêa

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (29), que, no seu entender, o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, cometeu um crime. Bolsonaro insinuou que a publicação de reportagens com base em diálogos vazados do ministro Sergio Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava Jato envolveu dinheiro.

– Eu estou achando que, no meu entender, ele cometeu um crime porque em outro país ele estaria já numa outra situação. Espero que a Polícia Federal chegue, ligue realmente todos os pontos. No meu entender isso teve transações pecuniárias. E pelo que tudo indica a intenção é sempre atingir a Lava Jato, atingir o [ministro] Sergio Moro, a minha pessoa, tentar e desqualificar e desgastar. Invasão de telefone é crime, ponto final – afirmou.

O site The Intercept Brasil tem publicado desde 9 de junho reportagens com base em diálogos vazados entre Moro e procuradores da Lava Jato.

– Não pode se escudar ‘sou jornalista’. Jornalista tem que fazer seu trabalho. Preservar o sigilo da fonte, tudo bem, agora uma origem criminosa o cara vai preservar o crime invadindo a República? Desgastando o nome do Brasil lá fora inclusive? Espero que a PF chegue… Não é fácil, mas chegue aos finalmente – afirmou ao deixar o Palácio da Alvorada.

No sábado, Bolsonaro disse que Greenwald e o deputado federal David Miranda são “malandros” por terem se casado e adotado dois filhos no país. O presidente fazia referência a uma portaria publicada por Moro na sexta-feira (26), que estabelece um rito sumário de deportação de estrangeiros considerados “perigosos” ou que tenham praticado ato “contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.

– Ele [Glenn] não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não – afirmou.

A portaria do Ministério da Justiça foi publicada em meio às divulgações do Intercept Brasil, que revelou, em supostas trocas de mensagens privadas entre o ex-juiz e procuradores da força-tarefa, ingerência do atual ministro sobre as investigações da operação.

O jornalista e o Intercept têm dito que não fazem comentários sobre suas fontes.

*Folhapress

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