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“Inimigos querem me queimar”, diz ministra do Turismo

Daniela do Waguinho é acusada de ligação com milicianos

Pleno.News - 05/01/2023 10h31 | atualizado em 05/01/2023 12h02

Daniela do Waguinho em ato de apoio a Lula Foto: Lula/Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia não haver fatos para substituir a ministra do Turismo, Daniela Carneiro. Em conversas reservadas, o petista disse não ter visto nada que desabone a ministra. Daniela do Waguinho, como é conhecida, é acusada de ter recebido apoio de milicianos na campanha eleitoral, mas atribui a adversários tais imputações.

– Inimigos querendo me queimar, mas não irão conseguir – escreveu a ministra, nesta quarta-feira (4), em uma mensagem de WhatsApp flagrada pela reportagem do Estadão.

Para Lula, a ministra do Turismo pode ter sido vítima de fogo amigo.

O Estadão apurou que uma ala do União Brasil, partido de Daniela, quer trocá-la porque ela não foi uma indicação da bancada da Câmara. O nome da ministra foi sugerido pelo presidente da legenda, deputado Luciano Bivar (PE), e pelo senador Davi Alcolumbre (AP).

Em mensagem no celular, a ministra admitiu o desconforto com o noticiário, que revelou a participação da família do miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura, em campanhas dela e na gestão de seu marido, o prefeito de Belford Roxo, Wagner Carneiro, o Waguinho.

Ex-policial militar, Jura foi condenado e preso por chefiar uma milícia há quatro anos. Mesmo assim, já ocupou cargo na prefeitura do município na Baixada Fluminense, enquanto a mulher dele, Giane Jura, foi cabo eleitoral da ministra, em 2018 e 2022. Preso na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói, Jura teve a permissão para deixar a cadeia para trabalhar revogada pela Justiça.

DIÁLOGOS
– Desconfortável hoje. Jornalistas cochichando – disse Daniela ao seu chefe de gabinete na Câmara e futuro secretário-executivo do ministério, identificado como Bento.

– Talvez seja porque você já está impressionada. Aí as coisas ficam mais gritantes para você – respondeu ele.

A ministra, então, minimizou o abalo emocional.

– Não sou dramática. Isso não prosperará. Os trabalhos irão abafar a notícia ruim – disse.

Em conversa com um contato identificado como doutor Santoro H.F., escreveu que não vai abonar crimes de quem quer que seja.

– Recebi muitos apoios, mas não respondo por outras pessoas. Não compactuo com qualquer ato ilícito. Cabe à política e à Justiça investigar e julgar casos que são da polícia e da Justiça – afirmou ela.

Nesta quarta, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, minimizou as suspeitas em relação à ministra. Costa também negou que haja pressão do União Brasil para que Daniela seja demitida e substituída por outro integrante da bancada na Câmara.

– Não tem nada até aqui, nenhuma repercussão ou materialidade concreta que crie algum tipo de desconforto. Se surgirem coisas novas, aí é outra história, mas até o momento não há nada – afirmou o ministro.

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também saiu em defesa de Daniela.

– Nada do que tem, até agora desabona a atitude dessa ministra – argumentou.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que o fato de haver uma imagem “não significa ter ligação com as atividades eventualmente ilegais dessas mesmas pessoas”. Ele sugeriu que a ministra deveria prestar esclarecimento. Segundo Dino, atualmente políticos tiram fotos com todo mundo.

Daniela foi a deputada federal mais votada do Rio, no ano passado. Na campanha do ano passado, ao lado do marido, aliou-se a Lula e ao PT.

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