Heloísa Helena critica PT: ‘Sempre busca hegemonia na esquerda’
Deputada afirmou ter saído "escorraçada" da legenda em 2023
Thamirys Andrade - 26/12/2025 13h03 | atualizado em 26/12/2025 13h34

A deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), suplente do deputado suspenso Glauber Braga (PSOL-RJ), fez críticas ao governo Lula e ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou que a sigla do presidente está sempre buscando ser “uma força hegemônica na esquerda brasileira” e relembrou que saiu da legenda “escorraçada em 2023, por coerência ideológica”.
Na conversa com o períodico, Heloísa Helena foi indagada sobre como ela avaliava a formalização de uma proposta de federação do PT com o PSOL, que teria de deixar a aliança com a Rede para juntar-se à sigla de Lula.
– Cada partido tem legitimidade para avaliar com quem deve federar, portanto, mesmo sendo uma das fundadoras do PSOL, esse tema deve ser debatido nas suas instâncias partidárias sem interferência de outros partidos. Minha avaliação é que o PT sempre busca ser uma força hegemônica na esquerda brasileira; desta forma, faria mais sentido apenas para eles essa federação. Entretanto, acredito que bons rebeldes do PSOL não vejam nessa possibilidade uma alternativa aceitável – analisou.
A parlamentar foi ainda questionada se ela e a Rede planejam apoiar a reeleição do presidente Lula.
– Temos tanto trabalho pela frente, inclusive na construção de um programa que aponte mudanças estruturais profundas para o Brasil. Fui escorraçada do PT em 2003, por coerência ideológica, e todo mundo sabe disso. Minhas convicções não mudaram, permaneço do mesmo lado, continuo cuspindo na traição de classe – declarou.
Ela afirmou, porém, que deve ser levada em conta à rivalidade com a ala apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2026.
– Esse vai ser o cenário que deve ser levado em conta para se debater 2026. Agora, não contem comigo para conciliar com o grande capital, apoiar o arcabouço fiscal, privatizar setores estratégicos, drenar recurso público das políticas sociais para encher a pança dos insaciáveis do capital financeiro. Não contarão sequer com minha paciência – adicionou.
Heloísa Helena também opinou sobre a escolha do líder conservador em lançar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como pré-candidato à Presidência.
– A decisão deles é previsível, pois no mundo da idolatria política e das neo-oligarquias, sempre resgatam a velha forma, ora sobrenomes conhecidos, ora arranjos eleitoreiros, e o programa de governo fica só para impressão gráfica. Fortes eles são, ridículo seria não reconhecer, mas sinceramente considero muito difícil que consigam ser vitoriosos numa campanha presidencial – assinalou.
Rival política de Marina Silva, ela defendeu ainda que a ministra do Meio Ambiente aceite a “vitória do lado vencedor” dentro da Rede, em vez de sair para filiar-se a outra sigla.
– Não acredito que a ministra Marina Silva, com seu agrupamento político, se desfilie da Rede, até porque, em qualquer tipo de disputa interna nos partidos, se pode ganhar ou perder. Faz parte da democracia reconhecer a vitória do lado vencedor e seguir trabalhando pelo que se acredita – avaliou.
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