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Haddad rebate fala de Tarcísio sobre o “caso Dark Horse”

Para o petista, episódio ainda não foi explicado por Flávio Bolsonaro

Pleno.News - 26/08/2026 19h55 | atualizado em 27/08/2026 12h13

Fernando Haddad Foto: Washington Costa/MF

O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu nesta quarta-feira (26), a declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de que Flávio Bolsonaro (PL) já deu explicações suficientes sobre o caso envolvendo o filme Dark Horse. Em entrevista ao portal de notícias Assiscity, em Assis (SP), Haddad afirmou que “não tem nada explicado” e acusou Tarcísio de tentar “abafar” o episódio.

– Tá tudo explicado? O que ele quer? Abafar a investigação da Polícia Federal? – afirmou.

Mais cedo, Tarcísio havia afirmado considerar suficientes as explicações apresentadas por Flávio até o momento.

– Acho que ele já deu explicações. Se nenhum fato novo aparecer, eu acho que está tudo esclarecido – disse, após participar de evento de campanha na Zona Sul de São Paulo.

Ao comentar a declaração, Haddad mencionou a entrada da Polícia Federal na investigação e questionou a posição de Tarcísio. O petista questionou se o governador estaria tentando encerrar o assunto antes da conclusão das investigações.

Na sequência, o petista fez uma série de questionamentos sobre o caso e citou outras supostas acusações contra integrantes da família Bolsonaro. As afirmações foram feitas por Haddad durante a entrevista.

– Aquele telefonema do Vorcaro tá explicado? Os R$ 61 milhões que o Vorcaro botou de dinheiro público, roubado de fundo de pensão, para financiar um filme vagabundo, tá explicado? Como explicaram as rachadinhas, como explicaram a compra de 50 imóveis com dinheiro vivo, como explicaram a mansão, tá tudo explicado? Não tem nada explicado – afirmou.

Haddad disse ainda defender que suspeitas sejam investigadas independentemente de partido ou alinhamento político.

– O país precisa de explicação, e é de todo mundo, viu? Eu não sou desses. Quem tem que explicar, tem que se explicar. PT, PL, Republicanos, fez alguma coisa que inspira atenção? Explica – afirmou.

O petista também usou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como contraponto à postura que atribuiu a Tarcísio. Segundo Haddad, a conduta adequada é permitir a investigação inclusive quando ela envolve aliados ou familiares.

– Olha a diferença dele para o Lula. Quando o Lula fala, pode investigar meu filho, que eu quero saber a verdade. Não vou mudar ministro, não vou mudar delegado, não vou fazer o que o Bolsonaro fez para proteger o Flávio – pontuou.

DARK HORSE
Quando o episódio do financiamento do filme Dark Horse veio à tona, em maio, Tarcísio afirmou que o aliado precisava se explicar. Na ocasião, Flávio prometeu apresentar uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento do filme. Em 19 de maio, disse ter pedido à produtora Go Up, responsável pelo longa, que organizasse uma prestação de contas “a todo mundo”, de forma transparente, em até 30 dias.

Em 19 de agosto, o assunto ganhou força na campanha eleitoral após o PT cobrar publicamente os “90 dias sem explicações”. A assessoria do senador respondeu que a produtora teria prestado contas à Justiça dentro do prazo. O laudo com gastos apresentado pela produtora fala em R$ 75 milhões, mas sem detalhar quem foram os financiadores.

A falta de uma prestação de contas pública virou, assim, um ponto de desgaste político para Flávio. Nos últimos dias, o senador tentou encerrar o assunto. Em 20 de agosto, afirmou considerar o caso “página virada” e disse que a prestação de contas já teria sido realizada. Quatro dias depois, ao ser questionado novamente por jornalistas, reagiu:

– Vocês estão parados no tempo? – indagou.

Em paralelo a essa disputa retórica pública, as apurações avançam no Supremo Tribunal Federal (STF) e também no Tribunal de Contas da União (TCU). No Supremo, há investigação instaurada para apurar possível direcionamento de emendas parlamentares a entidades ligadas à produção do filme, sobre relatoria do ministro Flávio Dino.

No TCU, foi sorteado relator – o ministro Benjamin Zymler -, para uma representação que pede apuração de indícios de irregularidades e cita, entre outros pontos, contraste entre os valores mencionados em diálogos e captações de declarações de Flávio de que haveria “zero de dinheiro público” na produção.

*AE

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