Guilherme Boulos vira réu por invadir o tríplex em Guarujá
Imóvel foi ocupado por manifestantes do MTST por três horas, como protesto contra a prisão do ex-presidente Lula
Thamirys Andrade - 26/02/2021 13h14 | atualizado em 26/02/2021 13h37

O político e líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) Guilherme Boulos (PSOL) virou réu nesta quinta-feira (25), acusado de invadir o tríplex de Guarujá como protesto contra a prisão do ex-presidente Lula (PT). A juíza Lisa Taubemblatt, da 6ª Vara Federal de Santos (SP), foi a responsável por aceitar a denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal).
Em 2018, o imóvel foi ocupado pelos manifestantes Frente Povo Sem Medo e do MTST por cerca de três horas, quando já estava bloqueado pela Justiça para reparação dos cofres públicos.
Boulos é acusado de violar o artigo 346 do Código Penal, que considera crime “tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção”. A pena pode chegar a dois anos de prisão.
A magistrada deu dez dias para o político apresentar uma resposta por escrito. De acordo com ela, a denúncia veio acompanhada de “peças informativas que demonstram a existência de justa causa para a persecução penal”.
DEFESA
Em entrevista ao portal UOL, o político afirmou que a acusação é a “nova farsa do tríplex” e que mostra a Justiça Federal sendo “conivente com as atrocidades promovidas no âmbito da Lava Jato”. Seus advogados se pronunciaram, dizendo que consideram a denúncia “absurda” e que a decisão “certamente será revista”.
– Há certeza de que Boulos não praticou nenhum crime e também convicção da inocência dos militantes do MTST, já expressa na recusa, por reiteradas vezes, de ofertas de acordo do Ministério Público e no pedido de julgamento antecipado do caso, que não foi atendido – disseram.
A denúncia da MPF também incluía o presidente Lula e acusava-o de incentivar Boulos a invadir o tríplex. A juíza, contudo, negou a acusação contra ele, dias após a queixa ser realizada, em janeiro de 2020.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é condenado em segunda instância por beneficiar-se de esquemas de corrupção pelo imóvel em questão.
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