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Grupos do agronegócio assinam “carta pró-democracia” da Fiesp

No total, oito entidades deram apoio ao documento que deve ser divulgado na próxima semana

Pleno.News - 05/08/2022 18h02 | atualizado em 05/08/2022 19h10

Sede da Fiesp, em São Paulo Foto: Divulgação/Fiesp

Ao menos oito entidades empresariais ligadas ao agronegócio estão entre as signatárias da carta pró-democracia articulada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que reúne cerca de 100 assinaturas. As entidades justificaram a assinatura dizendo que a democracia é fundamental para a sociedade civil e que é dever defendê-la.

Integram a lista a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Sindicato Nacional da Indústria de Café Solúvel (Sincs), a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal), o Sindicato da Indústria de Calcário e Derivados para Uso Agrícola do Estado de São Paulo (Sindical) e o Sindicato da Indústria do Milho, Soja e Seus Derivados no Estado de São Paulo (Sindmilho & Soja).

“A Ibá entende que as instituições democráticas são essenciais para os brasileiros, com influência, inclusive, nas relações internacionais”, disse a Ibá, em nota enviada à reportagem.

A Abracal se manifestou na mesma linha: “A defesa da democracia é dever de toda a sociedade civil organizada. O respeito às urnas é conquista que não se admite retrocesso”, afirmaram a Abracal e o Sindical em posicionamento conjunto.

Outras associações argumentam também ser necessária estabilidade política no país para o ambiente de negócios, enquanto algumas alegam que a adesão ocorreu em prol do crescimento do país.

Algumas dessas entidades já tem relação ou são associadas à Fiesp. O presidente da Abimapi, Claudio Zanão, e o presidente da Abics, Fabio Sato, compõem a diretoria da divisão de Produtos de Origem Vegetal do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp. O diretor executivo da Abracal, Euclides Francisco Jutkoski, e o presidente do Conselho Fiscal da Abracal, Fábio Ramos Vitti, integram a divisão de insumos do Deagro da Fiesp. O diretor-executivo da Abiove, André Nassar, é conselheiro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

A carta da Fiesp está prevista para ser divulgada na próxima quinta-feira (11). Trechos da carta aos quais a reportagem obteve acesso citam a soberania do Estado Democrático de Direito, o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) como guardião da Constituição e a necessidade de respeito entre os Poderes. O documento defende o fortalecimento das instituições e reconhece o papel do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O texto não cita o presidente Jair Bolsonaro (PL) nem o processo eleitoral, mas menciona os protestos chamados para 7 de Setembro.

O manifesto que a Fiesp divulgará nos próximos dias não é o mesmo elaborado pela Faculdade de Direito da USP, que já recebeu mais de 700 mil assinaturas. O conteúdo dos textos será semelhante, mas a expectativa é de que o da Fiesp tenha um tom mais contido e seja publicado nos principais jornais do país.

A assinatura ou não da carta não é consenso entre entidades do agronegócio brasileiro. Algumas já decidiram que não darão seu aval, enquanto outras ainda avaliam se vão aderir ao manifesto. Um terceiro grupo ainda não foi procurado para participar do documento ou não recebeu a versão final do texto, como a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Lideranças do setor contam que o principal receio é quanto ao “tom político” da carta e possíveis embaraços que podem ser gerados junto ao governo federal pelo endosso do documento. A reportagem apurou que a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Croplife Brasil, que representa indústrias de sementes e defensivos, e a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) não irão assinar o documento.

No ano passado, após o recuo da própria Fiesp, que adiou a publicação da sua “carta pela democracia”, entidades do agronegócio divulgaram um manifesto próprio defendendo o Estado Democrático de Direito garantidor da “liberdade empreendedora” e criticando “qualquer politização ou partidarização nociva” que agravaria os problemas do país. Na ocasião, o movimento foi liderado pela Abag, Abiove e Ibá.

O principal ponto de celeuma, que afasta o endosso à carta das entidades ligadas ao setor, é o “reconhecimento” do manifesto aos papéis exercidos pelo STF e TSE. A possível menção à segurança e à validação das urnas eleitorais também desagradaram a representantes do setor, que consideram que, ao citar as urnas, a carta “entra” em território político eleitoral.

A polarização também preocupa os dirigentes, que temem cisão interna entre suas empresas associadas.

*AE

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