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Governo gastou R$ 350 milhões para alugar navios na COP30

Embarcações foram contratadas devido à falta de hospedagem em Belém

Thamirys Andrade - 22/04/2026 15h56 | atualizado em 22/04/2026 17h21

Lula durante coletiva na COP30 Foto: Ricardo Stuckert / PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou ao menos R$ 350,2 milhões com o aluguel de navios para a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025). As embarcações de cruzeiro serviram como hospedagem diante da falta de hotéis e pousadas em Belém, capital do Pará, para receber os visitantes.

– A utilização de navios como hotéis flutuantes durante a COP30 decorreu da análise de possíveis soluções para o incremento de unidades habitacionais e leitos e de um conjunto de soluções necessárias e complementares para o problema de hospedagem, a fim de suprir o déficit de unidades hoteleiras e atingir, mediante sua efetivação, o número de leitos necessários para satisfazer às necessidades diretas e indiretas da mencionada conferência, sem prejuízo das necessidades ordinárias de Belém e Região Metropolitana – disse o governo.

Segundo documento da Casa Civil obtido pelo colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, a Secretaria Especial da COP30 firmou um contrato com a Embratur. A agência contratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda., que alugou navios das empresas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros pelo valor de R$ 350.240.506,46.

Como mostrou o Pleno.News, a Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro em um hotel de luxo em Campos do Jordão (SP), o Botanique. Vorcaro, por sua vez, costuma dizer que o hotel pertence à empresa Prime You, que também é dona dos jatinhos usados pelo banqueiro.

A ligação entre Cohen e o banco de Vorcaro envolve ainda a holding BeFly, criada em 2021. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a expansão da empresa contou com recursos de fundos relacionados ao Banco Master, utilizados na aquisição de companhias como Flytour e Queensberry. Um relatório de inteligência financeira citado pelo jornal ainda menciona uma transação em espécie de R$ 6 milhões entre o banco e uma empresa de Cohen, em novembro de 2024.

Em nota, a Embratur afirmou que a escolha da Qualitours ocorreu por meio de chamamento público e que a empresa apresentou toda a documentação exigida. O órgão também destacou que o Banco Master não participou da contratação e que a garantia financeira da operação foi feita pelo BTG Pactual.

A BeFly declarou que o Banco Master atuou apenas como fornecedor de crédito entre 2021 e 2023, sem irregularidades, e que mantém autonomia financeira. Já a Qualitours afirmou que foi contratada dentro das exigências técnicas e legais do projeto.

– A Qualitours informa que foi contratada pela Embratur para operar navios de hospedagem de apoio à COP, em processo regular e compatível com as exigências técnicas do projeto. A empresa reafirma a conformidade da contratação e dos serviços – diz a nota.

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