Gleisi defende “reforma” do Poder Judiciário proposta por Dino
"Como bem disse o ministro, 'O Brasil precisa de mais Justiça, não menos'", declarou a petista
Pleno.News - 21/04/2026 12h38 | atualizado em 22/04/2026 17h44

A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) endossou a proposta de reformar o Poder Judiciário, sugerida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. A petista afirmou ser necessário fazer um “debate franco” sobre o assunto.
– Muito bom artigo do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a necessidade de uma reforma do judiciário brasileiro. Precisamos fazer um debate franco sobre esse tema e uma das coisas a evidenciar é que as críticas ao STF cresceram após decisões sobre temas importantes, como armamentismo, negacionismo climático, fake news, e vários outros temas, mas principalmente a defesa da democracia, com os julgamentos da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 – escreveu no X.
Gleisi finalizou afirmando que o objetivo da reforma tem de ser “fortalecer o sistema de justiça para que os direitos de todas e todos brasileiros sejam efetivados de forma rápida e confiável”.
– Como bem disse o ministro Dino: “O Brasil precisa de mais Justiça, não menos” – concluiu.
Em seu artigo, publicado no portal ICL Notícias, Dino lista 15 pontos que, em sua visão, carecem de mudança. A proposta do magistrado ocorre em meio a uma crise de confiança da população no STF, em especial pelas suspeitas de envolvimento de ministros com o escândalo financeiro do Banco Master e por medidas consideradas excessivas por parte do ministro Alexandre de Moraes.
– Lastreado na experiência profissional de 37 anos exercendo cargos nos três Poderes do Estado, proponho uma agenda que efetivamente melhore o Sistema de Justiça, com medidas sérias e profundas, a exemplo do que em outros momentos se verificou. Mudanças superficiais, assentadas em slogans fáceis, ou de caráter puramente retaliatório não fortalecem o Brasil. O que o robustece é uma Justiça rápida, acessível e confiável – declarou Dino no artigo.
Leia os 15 pontos enumerados pelo ministro a seguir:
a) Requisitos processuais para acesso recursal aos Tribunais superiores, especialmente o STJ, objetivando agilizar as ações judiciais;
b) Critérios para expedição de precatórios e para cessão de tais créditos a empresas e fundos, visando eliminar precatórios temerários ou fraudulentos;
c) Instâncias especializadas e ágeis, em todos os Tribunais, para julgamento de processos sobre crimes contra a pessoa, crimes contra a dignidade sexual, bem como dos atos de improbidade administrativa;
d) Criação de rito próprio para exame judicial de decisões das Agências Reguladoras, visando ao rápido arbitramento dos conflitos de grande expressão econômica, possibilitando celeridade e segurança jurídica em obras e investimentos;
e) Revisão do capítulo do Código Penal sobre os crimes contra a Administração da Justiça, inclusive criando tipos penais mais rigorosos para corrupção, peculato e prevaricação envolvendo juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores, servidores do sistema de Justiça em geral. A confiabilidade é um atributo fundamental para a legitimação democrática de todos os profissionais do Direito, o que justifica um tratamento legal específico.
f) Procedimentos para julgamentos disciplinares conexos, por exemplo quando houver participação em infrações administrativas de magistrados, promotores e advogados;
g) Tramitação adequada de processos na Justiça Eleitoral, evitando o indevido prolongamento atualmente verificado, causando insegurança jurídica e tumultos na esfera política, como se verifica atualmente em dois Estados;
h) Composição e competências dos Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público, para que sejam mais eficientes na fiscalização e punição de ilegalidades;
i) Direitos, deveres, remuneração, impedimentos, ética e disciplina das carreiras jurídicas, suprimindo institutos arcaicos como “aposentadoria compulsória punitiva” e a multiplicação de parcelas indenizatórias;
j) Critérios para sessões virtuais nos Tribunais e Varas judiciais;
k) Revisão das competências constitucionais do STF e dos Tribunais Superiores;
l) Garantia de presença dos membros do Sistema de Justiça nas comarcas e unidades de lotação;
m) Regras e limites para o uso de Inteligência Artificial na tramitação de processos judiciais;
n) Arrecadação, transparência e uso dos recursos que integram os Fundos de Modernização e os fundos de honorários advocatícios da Advocacia Pública;
o) Medidas que reduzam o número de processos no Sistema de Justiça, iniciando pelos procedimentos atualmente verificados em execuções fiscais, que devem ser intensamente desjudicializados.
Leia também1 Oposição articula impeachment de Gilmar, após atrito com Zema
2 Lula expressa oposição a possível invasão militar dos EUA em Cuba
3 Paulo Figueiredo confirma que agente da PF foi expulso dos EUA
4 EUA expulsam delegado brasileiro ligado a detenção de Ramagem
5 Lula aponta que não há turbulência na pré-campanha



















