Gayer: ‘Devolvam a liberdade do jornalista poder denunciar crime’
Parlamentares da oposição pediram o impeachment do ministro Alexandre de Moraes
Kleber Pizão - 12/08/2026 21h25 | atualizado em 13/08/2026 12h05

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), líder da Minoria na Câmara dos Deputados, fez, nesta quarta-feira (12), uma defesa incisiva da liberdade de imprensa no Brasil, com base no artigo 5º da Constituição Federal, após a operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Raimundo Cutrim, apontado pela Polícia Federal como fonte do jornalista Luís Pablo.
Durante coletiva de imprensa na Câmara, parlamentares da Oposição anunciaram que apresentarão um novo pedido de impeachment contra Moraes em razão do episódio. Ao lado do líder da Oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), e de outros parlamentares, Gayer afirmou que a medida representa uma ameaça direta ao jornalismo investigativo.
— O que Alexandre de Moraes fez ontem é acabar com o jornalismo investigativo. Eu pergunto aos senhores e senhoras jornalistas: vocês acham que alguma fonte vai ter coragem de se expor agora? — questionou.
A busca e apreensão contra Cutrim foi autorizada após solicitação da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. O ex-secretário do governo do Maranhão foi apontado como fonte de reportagens sobre o suposto uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. O caso provocou reação de entidades representativas da imprensa e ampliou o debate sobre medidas judiciais envolvendo fontes jornalísticas.
A proteção ao sigilo da fonte está expressamente prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que assegura o acesso à informação e determina ser “resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Para Gayer, a possibilidade de uma fonte ser identificada e submetida a medidas investigativas pode gerar temor e afastar pessoas que tenham informações relevantes de procurar jornalistas.
— Todas as denúncias, todos os grandes escândalos de corrupção que o Brasil pôde descobrir só aconteceram porque alguém passou essa informação para a imprensa. Alguém passou um e-mail, apresentou documentos, dossiê, mostrou provas, e através disso a imprensa tornou isso público — afirmou o líder da Minoria, ao defender que a proteção das fontes é indispensável para a revelação de fatos de interesse público.
Gayer também rebateu o discurso de que parlamentares de direita representariam uma ameaça à liberdade de expressão e afirmou que, diante do episódio, é a Oposição que tem se mobilizado em defesa das garantias constitucionais da imprensa.
— Colocaram na cabeça da nossa imprensa brasileira que a direita é perigosa, a direita é contra a liberdade de expressão. Mas nós estamos vendo uma busca e apreensão em uma fonte de jornalista, e não foi a direita quem fez isso — declarou.
Ao anunciar a apresentação do novo pedido de impeachment contra Moraes, a Oposição sustentou que o episódio se soma a outras decisões que considera incompatíveis com os limites constitucionais da atuação de um ministro do Supremo. Gayer encerrou o pronunciamento com um apelo direto aos jornalistas:
— Devolvam a nossa liberdade de expressão. Devolvam a liberdade do jornalista poder denunciar crimes. Devolvam a nossa democracia.
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