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França começa a julgar acusados por atentados terroristas de 2015

Ataques reivindicados pelo Estado Islâmico mataram 130 pessoas

Pleno.News - 08/09/2021 15h48 | atualizado em 08/09/2021 17h41

França começa a julgar acusados por atentados terroristas de 2015
Victour Edou, advogado das vítimas, fala à imprensa Foto: EFE/EPA | Ian Langsdon

O maior processo criminal da história contemporânea da França começou nesta quarta-feira (8), com o julgamento de supostos autores e cúmplices dos atentados reivindicados pelo Estado Islâmico, que mataram 130 pessoas em novembro de 2015, em Paris.

Nove atiradores e homens-bomba atacaram, com poucos minutos de diferença, vários locais nos arredores da capital francesa, em 13 de novembro de 2015, espalhando terror por todo o país. Foi o episódio violento mais letal na França desde a Segunda Guerra e um dos piores ataques terroristas a atingir o Ocidente.

A maior carnificina ocorreu na boate Bataclan, onde três homens armados com rifles de assalto e com explosivos atiraram em dezenas de pessoas e fizeram outras de reféns. Outros terroristas visaram ao estádio nacional de futebol, onde o então presidente François Hollande assistia a um jogo da seleção, bem como cafés lotados de clientes.

No total, 20 suspeitos foram acusados, mas cinco deles foram dados como mortos, e um está preso na Turquia. Do grupo de supostos terroristas que tiveram participação direta nos ataques, apenas um sobreviveu: o cidadão francês Salah Abdeslam, nascido na Bélgica. Na noite dos ataques, ele fugiu após abandonar seu carro e um colete suicida com defeito. Seu irmão estava entre os homens-bomba que participaram dos atentados.

Até agora, Abdesalam se recusou a falar com os investigadores, negando-lhes respostas a muitas das perguntas restantes sobre os ataques e sobre as pessoas que os planejaram. Ele apareceu vestindo uma camisa preta de mangas curtas e calças pretas, com o cabelo comprido amarrado para trás. Quando solicitado a declarar sua profissão, ele declarou que era “um guerreiro do Estado Islâmico”, após entoar uma oração.

JULGAMENTO
Abdeslam estará presente no tribunal durante o julgamento, que deve durar mais de oito meses. Mais de 300 advogados vão representar cerca de 1.800 partes civis, incluindo sobreviventes, em meio a rígidas precauções de segurança.

Para acomodar o grande – e incomum – número de participantes, os procedimentos ocorrem em uma sala de tribunal temporária, especialmente construída dentro do Palais de Justice, no centro de Paris, onde foram julgados Maria Antonieta e Émile Zola. O espaço foi construído em madeira clara, escolhida para criar “uma sensação de calma”, com uma área de vidro. Nessa área se sentaram os réus na quarta-feira. Estátuas clássicas de mármore parecem observar a cena.

O juiz presidente do caso, Jean-Louis Peries, reconheceu a natureza extraordinária dos ataques (que mudaram a segurança na Europa e o cenário político da França) e do julgamento que está por vir. A França só saiu do estado de emergência, declarado na sequência dos atentados em 2017, depois de incorporar na lei muitas das medidas mais duras.

– Os acontecimentos sobre os quais vamos decidir estão inscritos na sua intensidade histórica entre os acontecimentos internacionais e nacionais deste século – afirmou.

Entre os convocados para depor está Hollande, que, além de estar presente em uma das cenas do ataque, deu a ordem final para que as forças especiais policiais invadissem o Bataclan.

Hollande disse, na quarta-feira, que falaria “não pelo bem da política francesa, mas pelas vítimas dos ataques”. Ele disse que sentiu profundamente o peso da responsabilidade naquela noite e pelos dias e semanas posteriores ao ataque.

– Quando as câmeras são desligadas, você volta para a solidão do Elysée (palácio presidencial). Você [se] pergunta o que eu posso fazer? O que aconteceu vai mudar a sociedade? – disse Hollande ao France-Info.

Nenhum dos procedimentos será televisionado ou retransmitido ao público, mas será gravado para fins de arquivamento. A gravação de vídeo só foi permitida para um punhado de casos na França considerados de valor histórico, incluindo o julgamento, no ano passado, pelos ataques de 2015 contra o jornal Charlie Hebdo em Paris e um supermercado kosher.

Os principais réus do processo em Paris só serão interrogados sobre os atentados a partir de janeiro, o que coincide com um momento decisivo das eleições presidenciais, que ocorrem em abril.

Tanto o presidente Emmanuel Macron quanto o líder de direita Marine Le Pen concentram o discurso em temas de segurança nos últimos meses, levantando a perspectiva de que o julgamento se tornará uma questão em ano eleitoral.

*AE

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