Força Nacional aumenta efetivo na fronteira com Venezuela
Instabilidade política no país vizinho levou governo brasileiro a tomar decisão
Pleno.News - 08/01/2026 15h14 | atualizado em 08/01/2026 16h57

A instabilidade política na Venezuela e as possíveis consequências da ação militar que os Estados Unidos realizaram no último sábado (3) para depor o ditador venezuelano Nicolás Maduro motivaram o governo brasileiro a ampliar o efetivo de agentes da Força Nacional de Segurança Pública na fronteira com o país vizinho.
Uma portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (8) autoriza o emprego de agentes da tropa federativa na capital de Roraima, Boa Vista, e em Pacaraima (RR), cidade fronteiriça e principal porta de entrada para o território brasileiro para venezuelanos que deixam seu país.
Assinado pelo ministro Ricardo Lewandowski, o texto da Portaria MJSP n° 1.127 estabelece que os agentes atuarão nos dois municípios de Roraima pelos próximos 90 dias – prazo que, se necessário, poderá ser estendido. Durante este período, a tropa vai apoiar os órgãos de segurança pública estaduais, nas atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública.
Recentemente, União e o governo de Roraima chegaram a um acordo para tentar pôr fim a uma disputa judicial que se arrasta desde abril de 2018, no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta prevê que o governo federal repasse ao estado R$ 115 milhões a título de ressarcimento das despesas extraordinárias que Roraima assumiu nos últimos anos, em função do aumento do fluxo migratório venezuelano.
Segundo o estado, a conciliação judicial foi formalizada na Ação Cível Originária (ACO) n° 3.121, relatada pelo ministro Luiz Fux. Ainda de acordo com o governo estadual, o termo de conciliação busca encerrar o litígio e prevê a aplicação dos recursos em ações de promoção da saúde (R$ 36 milhões); educação (R$ 10 milhões); segurança pública (R$ 63 milhões) e no sistema prisional estadual (R$ 6 milhões).
Para o governador Antonio Denarium (PP), o acordo tenta corrigir “uma distorção histórica no pacto federativo”, já que, por sua localização geográfica, Roraima acabou assumindo, “de forma desproporcional” os impactos de uma crise de dimensão nacional e internacional.
O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estima que cerca de 7,9 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2014 em busca de proteção e de uma vida melhor. Destes, cerca de 732 mil permanecem no Brasil.
*Agência Brasil
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