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“Estarei ao lado de Bolsonaro na luta pelo Brasil”, diz Major Vitor Hugo

Ao Pleno.News, o deputado falou sobre o período que passou como líder do governo na Câmara e sobre outros temas conservadores

Henrique Gimenes - 05/11/2020 17h56 | atualizado em 06/11/2020 09h59

Presidente Jair Bolsonaro e o deputado Major Vitor Hugo Foto: Reprodução

Ao ser escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar o cargo de líder do governo na Câmara, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) gerou questionamentos por causa da “falta de experiência”. E apesar do início conturbado, o parlamentar conseguiu fazer um bom trabalho e articular a aprovação de diversas pautas importantes para o governo até sua saída do posto. Mesmo fora da função, o deputado segue apoiando o presidente na tentativa de mudar o Brasil.

Em entrevista ao Pleno.News, Major Vitor Hugo contou sobre o período que passou como líder do governo na Câmara, das dificuldades que enfrentou na função e também das vitórias conquistadas no período.

O deputado também falou sobre outros temas atuais, como a polêmica sobre a obrigatoriedade da vacina da Covid-19, a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no episódio envolvendo um traficante em São Paulo e ainda da Presidência da Câmara dos Deputados.

O senhor passou de janeiro de 2019 a agosto de 2020 como líder do governo na Câmara. Conte como foi sua experiência nesse posto?

Foi extremamente marcante. Ainda mais para mim, um deputado de primeiro mandato. Ser escolhido líder do governo é uma responsabilidade muito grande, uma posição estratégica. Foi um grande aprendizado, de contato com os ministros, com o próprio presidente, com os líderes, com o presidente da Câmara. E saber lidar com todos esses atores e impulsionar as pautas do governo.

Foi um grande desafio. E tivemos grandes vitórias. Aprovamos aí a [reforma da] Previdência, a liberdade econômica, o acordo da Base de Alcântara. Aprovamos a nova proteção social dos militares e a reformulação das carreiras. Aprovamos 41 medidas provisórias nesse tempo. Enfrentamos o início da pandemia, aprovando o Orçamento de Guerra. Decretando estado de calamidade pública, ajudas a estados e municípios e tantas outras medidas que foram aprovadas. Foi um desafio grande, mas contei com o apoio e a confiança do presidente, com a amizade e também apoio e trabalho de todos os ministros. Acho que foi bem vitoriosa nossa passagem por lá.

Aprovamos 41 medidas provisórias nesse tempo

E quais foram as maiores dificuldades que o senhor enfrentou neste período?

Acho que foi a adaptação a uma função que é de grande protagonismo no âmbito nacional. Nós fomos eleitos, mas o presidente foi na frente desse grupamento de novos políticos. Eram dois partidos muito pequenos, PRTB e PSL, rompendo as coligações de grandes partidos tradicionais e já arraigados, com suas bases prontas. E o presidente rompeu tudo isso.

E, na sequência, foi liderar um governo com partidos extremamente machucados, ‘magoados’ com o processo eleitoral. Foi realmente um grande desafio. E daí as grandes dificuldades do primeiro semestre do ano passado. E depois as coisas foram se acomodando a ponto de, nas últimas semanas da minha gestão à frente da liderança, aprovar 6 MPs num único dia. E isso é fruto de muito trabalho. Todas elas com os textos alinhados com aquilo que o governo queria. Foi um feito muito grande e fruto de muita articulação.

“Ser escolhido líder do governo é uma responsabilidade muito grande”, diz Major Vitor Hugo Foto: Reprodução

Falando sobre um tema que está em alta, a questão da vacina da Covid-19, como o senhor vê a polêmica a respeito da obrigatoriedade da vacinação?

Sobre a vacinação, nós temos que ter muito cuidado e critério para não transformamos a população brasileira em cobaia. Acho que essa é a grande preocupação do presidente. Aguardar o momento em que houver todo esclarecimento em relação à origem, dos efeitos colaterais, da eficácia real de alguma das centenas de vacinas que estão sendo desenvolvidas ao redor do mundo.

Sobre a vacinação, temos que ter muito cuidado e critério para não transformamos a população brasileira em cobaia

O Brasil já aderiu a uma série de iniciativas, inclusive com recursos. O governo federal já enviou recursos bilionários para ajudar na pesquisa. Nesse momento, quando houver uma vacina credenciada, autorizada, testada a eficácia e efeitos colaterais, vai ser disponibilizada, e as pessoas voluntárias e esclarecidas vão decidir tomar ou não. A obrigatoriedade da vacina dos dias de hoje, sendo discutida dessa forma, não pronta, sugere um grau de autoritarismo e de imposição de um remédio que ainda não está testado. Acho que o presidente Bolsonaro está certo quando age com cautela em relação a isso.

Outro tema polêmico foi a divergência no Supremo Tribunal Federal que culminou na soltura do traficante conhecido como André do Rap. Como o senhor vê a questão?

Quanto à soltura do traficante André do Rap pelo STF, realmente é uma decisão monocrática, extremamente preocupante porque passa um sinal muito ruim de impunidade, de injustiça para a população brasileira que já está tão cética, de modo geral, com relação ao STF, da morosidade do Poder Judiciário. Nós sabemos dos esforços de muitos juízes de primeiro grau que fazem um trabalho excepcional pelo Brasil, mas decisões como essa acabam por contribuir com essa visão que muito de nós temos de falta de crença.

A soltura do traficante André do Rap pelo STF passa um sinal muito ruim de impunidade

A gente fica ainda mais preocupado com esse cenário. Alguém da periculosidade desse criminoso foi solto de uma hora para outra, sumiu no terreno e não adiantou nada a decisão ter sido revogada em sequência porque o bandido está escondido, talvez em outro país. Por isso, defendemos, por exemplo, a questão da prisão após condenação em segunda instância e o fim do foro privilegiado, porque são pautas que podem ajudar no desenvolvimento do nosso Sistema Penal e também no combate à sensação de impunidade generalizada no país.

“Defendemos, por exemplo, a questão da prisão após condenação em segunda instância” Foto: Reprodução

O senhor apresentou duas propostas em relação a escolha do presidente da Câmara dos Deputados, uma que determina a votação aberta e outra que impede que réus por crime contra a Administração Pública se candidatem ao posto. Pode nos falar um pouco sobre as duas propostas?

Eu apresentei, como autor, dois projetos de resolução. O 63 e o 64, ambos visam modificar o regimento interno da Câmara dos Deputados, uma para colocar o caráter da votação para aberta, ou seja, ela deixar de ser secreta. E outra para proibir que réus por crimes de administração pública possam ser candidatos. Na minha opinião, esse dois projetos, se aprovados, podem mudar completamente o cenário para a próxima eleição para presidência da Câmara.

Outro projeto é proibir que réus por crimes de administração pública possam ser candidatos

Uma coisa é a gente ter a votação secreta, o que impede que os cidadãos consigam verificar ou influenciar diretamente o voto do seu deputado, saber em quem o deputado votou. Se estiver explícito, dificilmente os deputados vão votar em pessoas que tenham alguma rusga no seu passado quanto a parte criminal ou algum problema em defesa de pauta que não estejam alinhados com a maioria do que a população brasileira sente e quer.

E, a segunda, de novo, é o anseio da população. Ninguém aguenta mais. Nós temos presidentes da Câmara enrolados com a Justiça. Esse é o momento em que temos de modificar a visão de que os brasileiros têm do Poder Legislativo e isso passa diretamente pela Presidência da Câmara.

Se a população não se mobilizar, nada disso vai acontecer

E essas duas propostas podem mudar completamente o jogo, mas depende de apoio popular. Não vai ser pautado simplesmente porque foi apresentado. Se a população não se mobilizar, nada disso vai acontecer.

Sou totalmente contrário à reeleição do presidente [da Câmara] Rodrigo Maia. Ele já foi três vezes presidente. Duas vezes e meia, vamos colocar assim [Maia foi eleito pela primeira vez para um mandato tampão após o Conselho de Ética cassar o mandato de Eduardo Cunha, presidente da Câmara em 2016]. Agora é hora para outras pessoas aparecerem e outras lideranças políticas assumirem o papel da condução de uma Casa que é extremamente importante para o país.

Nós temos presidentes da Câmara enrolados com a Justiça

Sou totalmente contrário. E essas duas preposições que apresentei vão nesse sentido também, de permitir que a gente tenha uma eleição transparente, clara. E ter alguém com um perfil mais alinhado com o nosso presidente [Jair Bolsonaro], mais alinhado com as pautas ligadas à família, à pátria, à liberdade, à propriedade. Tem a questão das armas, homeschooling. Pautas conservadoras, de um modo geral, e também com a mesma visão econômica que nosso governo tem. O sonho para nós é ter um presidente da Câmara com esse perfil [conservador].

Líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, e presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução

Pode nos contar sobre quando o senhor conheceu o presidente Jair Bolsonaro e como passou a apoiá-lo?

Conheci Bolsonaro pessoalmente quando cheguei à Câmara dos Deputados em 2015 como consultor legislativo concursado da Câmara. Naquele momento, eu deixava o Exército Brasileiro, depois de 21 anos de serviço, e ia trabalhar na Câmara como servidor. Foi uma adaptação difícil, mundos completamente diferentes. E o presidente, então deputado, já trabalhava na Câmara há algum tempo. E eu tinha já uma admiração por ele.

Deixei o Exército Brasileiro, depois de 21 anos de serviço, e fui trabalhar na Câmara como servidor

A gente se aproximou primeiro devido ao passado em comum no Exército Brasileiro. Depois, fiz alguns trabalhos para ele na área de segurança pública e defesa nacional, com foco no contraterrorismo. E aí houve uma aproximação técnica. E por fim, quando decidi que ia entrar para a vida política, fui até o presidente, deputado à época, e manifestei minha posição. Ele de imediato me deu apoio, orientação. E, desde então, isso foi no final de 2016, nossa amizade e consideração mútuas têm aumentado ao longo do tempo. E tenho plena confiança no trabalho, no caráter e na determinação do presidente Bolsonaro de seguir modificando o país. E quero estar ao seu lado nessa luta.

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