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“Estamos gostando do jatinho”, diz mulher de Moraes a Vorcaro

Escritório emitiu nota negando que o contrato para a compra da aeronave foi concretizado

Pleno.News - 01/09/2026 20h50 | atualizado em 02/09/2026 13h27

Daniel Vorcaro e Viviane Barci de Moraes Fotos: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo e Antonio Augusto/Secom/TSE

Mensagens divulgadas pela Polícia Federal (PF) mostram a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, em contato com funcionários da Prime You, empresa ligada ao Banco Master, afirmou que estava “gostando muito” de usar o jatinho Legacy 650. Após a divulgação das mensagens, o escritório Barci de Moraes enviou uma nota à imprensa dizendo que não fechou o contrato relacionado à aeronave.

A conversa foi encaminhada por um funcionário da Prime You a Daniel Vorcaro, então sócio da empresa. O diálogo passou a integrar o inquérito que apura operações envolvendo o Banco Master e está em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

No material reunido pela PF, há uma minuta de contrato entre o escritório Barci de Moraes Advogados e a Viking Participações, holding patrimonial de Vorcaro. O documento previa R$ 50 milhões em serviços jurídicos, com pagamento por meio de cotas do Legacy 650 e de um helicóptero EC155 B1.

A PF também registrou mensagens que apontariam para a participação de Viviane na utilização dos bens. Em uma delas, um funcionário perguntou se ela e sua família estavam satisfeitos com o uso das cotas das aeronaves.

– Logo em seguida, MARCOS (funcionário da Prime You) envia a DANIEL VORCARO recorte de conversa que teve com VIVIANE MORAES, na qual questiona se “estão gostando da utilização das cotas de vocêss”. Viviane (Barci de Moraes) responde que “Sim, estamos gostando muito” – diz trecho do relatório da PF.

As mensagens ainda indicam uma preocupação com a forma como a propriedade do jatinho seria registrada.

Em conversa de 24 de julho de 2025, o advogado Leonardo Palhares explicou a Vorcaro que havia preocupação com a exposição dos sócios da empresa que ficaria responsável pelo ativo.

– Eles queriam que a empresa que fosse dona do ativo fosse uma em que os sócios estão muito visíveis, e haveria risco reputacional grande – afirmou Palhares.

Em outro diálogo, Vorcaro orientou uma funcionária da Prime You a manter o atendimento a Barci durante o agendamento de voos do Legacy 650. A orientação aparece nas mensagens analisadas pela PF.

O escritório Barci de Moraes, por sua vez, negou à imprensa que o acordo envolvendo o jatinho tenha sido concluído. A defesa afirma que houve apenas uma contratação com o Banco Master e que a proposta relacionada às aeronaves não foi aceita.

– O escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato. A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição – afirma a nota.

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