Em mensagens, Careca do INSS menciona secretário de Lula
Swedenberger Barbosa, o Berger, aparece algumas vezes em mensagens escritas pelo empresário
Paulo Moura - 13/08/2026 07h59 | atualizado em 13/08/2026 12h19

Mensagens entregues à Polícia Federal (PF) por um colaborador mostram que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, citou algumas vezes o nome de Swedenberger Barbosa, o Berger, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, em meio às tratativas de seu grupo para atuar no mercado de cannabis medicinal.
De acordo com informações da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, parte dos diálogos foi trocada diretamente entre o Careca do INSS e um interlocutor. Outros registros foram extraídos de um grupo da Cannabis World, empresa ligada ao empresário.
Em uma das conversas, de 6 de novembro de 2024, Antônio Carlos encaminhou ao interlocutor uma mensagem recebida de uma terceira pessoa segundo a qual Berger já estava “com aquela orientação em mãos”. A resposta foi curta: “Show”. Na época, Berger ainda ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde, considerada uma das posições mais importantes da estrutura da pasta.
Outro registro, desta vez em um grupo da Cannabis World, menciona uma reunião marcada com Berger. Em 19 de dezembro de 2024, o Careca escreveu: “Reunião com Berger às 10:30”. A agenda oficial de Berger daquele mês, no entanto, não registra encontro com Antônio Carlos ou com representantes da Cannabis World.
Segundo um colaborador da Polícia Federal que trabalhou com Antônio Carlos, o empresário mencionava com frequência o nome de Berger como um de seus contatos dentro do Ministério da Saúde.
As mensagens reforçam a presença do então secretário-executivo nas tratativas relacionadas aos negócios de cannabis medicinal do grupo, mas os registros apresentados não permitem, por si só, concluir qual foi o conteúdo da suposta orientação citada por Careca. A PF investiga justamente as relações entre lobistas, empresários e agentes públicos no contexto das apurações envolvendo Antônio Carlos.
No início de 2025, Berger deixou o Ministério da Saúde e foi nomeado para o Palácio do Planalto. Atualmente, ele ocupa o cargo de chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente Lula (PT), setor responsável por prestar assistência direta ao presidente da República no exercício de suas atribuições.
Diante das citações ao nome de Berger nas investigações, a Presidência chegou a considerar sua demissão, mas decidiu mantê-lo no cargo. Procurado para comentar as mensagens e sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, Berger não havia respondido até a última atualização da reportagem.
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