Em depoimento, motorista de Haddad diverge da versão da SSP
Oitiva diverge até de relato feito pelo próprio condutor
Paulo Moura - 18/08/2026 12h04 | atualizado em 18/08/2026 13h55

O motorista da campanha de Fernando Haddad (PT) prestou depoimento nesta segunda-feira (17) à Polícia Civil sobre a suposta abordagem de policiais militares que teria ocorrido na semana passada, em São Paulo. O relato, porém, apresenta divergências em relação à cronologia registrada por câmeras de segurança e também a uma versão anterior apresentada pelo próprio motorista.
Segundo o depoimento, após deixar Haddad em casa na noite da última terça (11), depois de um evento na Universidade de São Paulo (USP), o motorista teria seguido para um hotel na Rua Joinville, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Ele afirma que escolheu o local porque havia câmeras de segurança e porque já teria percebido mais de uma aproximação de viaturas da Polícia Militar.
De acordo com o novo relato, o motorista estacionou por volta das 21h58 e, algum tempo depois, uma viatura teria se aproximado novamente. Segundo ele, os policiais teriam parado alguns metros à frente e desembarcado. Três agentes teriam permanecido na calçada, e um deles teria ordenado que ele fosse embora.
O motorista afirmou à Polícia Civil que, naquele momento, enviou mensagens pelo WhatsApp relatando que estava se sentindo “monitorado”. De acordo com o relato, ele permaneceu no local e deixou a Rua Joinville somente por volta das 23h09, seguindo depois para casa. Ele afirma que não houve novo contato com viaturas.
VERSÃO DIVERGE ATÉ DE RELATO DO PRÓPRIO MOTORISTA
A versão apresentada no depoimento, porém, não coincide com a cronologia mostrada pelas imagens divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).
Segundo uma câmera de segurança instalada em um condomínio residencial, o carro do motorista chegou à Rua Joinville às 21h58. Às 22h24, uma viatura passa lentamente pelo veículo. De acordo com a SSP, não houve parada. Dois minutos depois, às 22h26, o carro deixa o local. O horário de saída registrado pela câmera é, portanto, 43 minutos anterior ao horário informado pelo motorista em depoimento.
A SSP também contesta o relato de que a viatura teria parado à frente do carro. Segundo a pasta, foram analisadas mais de 70 câmeras de segurança e não foram identificados, até o momento, indícios de abordagem ou procedimento irregular por parte dos policiais.
O depoimento desta segunda também apresenta uma diferença em relação ao relato feito anteriormente pelo próprio motorista. Na versão anterior, ele havia afirmado que saiu do carro para questionar os policiais sobre o suposto acompanhamento e que, durante esse contato, teria ouvido a ordem para ir embora.
Agora, segundo o depoimento prestado à Polícia Civil, o motorista afirma que recebeu o comando para deixar o local de dentro do próprio veículo.
Haddad afirmou nesta segunda que considera haver uma “inconsistência grave” na apuração do caso e defendeu que sejam analisadas as imagens das câmeras que efetivamente poderiam registrar o episódio.
– Você pode investigar 100 câmeras, mil câmeras. Nós estamos levando para o delegado quais as câmeras estão no local, estão instaladas e poderiam comprovar a narrativa do motorista. Agora, se eu pegar uma câmera daqui, eu vou resolver que problema? Eu tenho que pegar a imagem certa. Porque aquela câmera não desmente que a viatura parou, você não vê o que acontece com a viatura depois – alega.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por sua vez, afirmou no domingo (16) que as imagens analisadas até agora indicavam a possibilidade de uma falsa comunicação de crime.
– A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo, porque, se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no fim das contas, de uma falsa comunicação – afirmou.
Segundo Tarcísio, a viatura que passou pelo hotel não teria parado nem abordado o motorista. Ele também disse que o deslocamento dos veículos foi analisado por meio do sistema de GPS. Caso a investigação conclua que houve falsa comunicação de crime, o motorista poderá responder pelo delito previsto no Código Penal, que prevê detenção de um a seis meses ou multa.
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